Aeróbio em jejum: prescrever ou não prescrever para alunos?

Saiba quais são os efeitos do aeróbio em jejum no aluno de acordo com estudos recentes

Estamos no começo de um novo ano, época em que a maioria dos alunos estão focados no emagrecimento. Preocupados com a comilança de final de ano e com o corpo que irão apresentar no restante do verão (especialmente no carnaval), os alunos querem ter em algumas semanas o resultado que não conseguiram obter ao longo de todo o ano anterior (muitas vezes por uma dificuldade de manter hábitos saudáveis e falta de disciplina para executar o que foi planejado até então).

Devido a essa preocupação, a busca por estratégias diversas e às vezes mirabolantes acontece com frequência e uma delas é o aeróbio em jejum. Se o seu aluno lhe procura querendo fazer o aeróbio em jejum, vale a pena prescrevê-lo? Será benéfico para o emagrecimento? Pode fazer mal? Vamos falar sobre cada detalhe agora.

Queima de gordura durante o exercício

Em um estudo muito bom, Paoli e colaboradores analisaram, entre outros detalhes, a queima de gordura durante o exercício, estando em jejum ou alimentado. Os resultados foram bem interessantes: quem fazia o exercício em jejum acabava queimando um pouco de gordura a mais do que quem fazia o exercício alimentado. A diferença era muito pouca, mas, para quem quer resultados a todo curso, qualquer detalhe pode ser importante.

 

Queima de gordura pós-exercício

Esse mesmo estudo do Paoli analisou a queima de gordura dos indivíduos pós-exercício por 24 horas. E sabe o que acontecia? Quem queimava mais gorduras durante o exercício  (os que estavam em jejum) acabavam compensando e queimando menos gordura no pós-exercício. Interessante, não é?

Aeróbio em jejum nos resultados de emagrecimento

Então, esse estudo mostrou que, no final, o aeróbio em jejum não otimiza a queima de gorduras. Ela tem até uma pequena melhora durante o exercício, que é compensada no pós, não havendo, assim, diferença no total do exercício + pós.

E existem inúmeros outros estudos que corroboram com esse, inclusive metanálises mostrando que, para o emagrecimento e queima de gordura, o aeróbio em jejum não é efetivo!

HIIT em jejum

Mas e o HIIT (exercício intervalado de alta intensidade)?  Será que se o aluno fizer em jejum, os resultados serão potencializados? Em um estudo, Gillen e colaboradores verificaram esse fato e concluíram que o HIIT é uma boa estratégia para a queima de gordura. Porém, o fato de fazê-lo em jejum não potencializa os resultados, assim como o aeróbio contínuo em jejum!

Como já mencionei aqui no Blog, temos que ficar atentos aos tipos de treino HIIT e seus protocolos e também à manipulação correta das variáveis desse exercício para impactar o desempenho e obter os melhores resultados.

Aeróbio em jejum e performance

Mas aí temos uma outra questão: é comum recebermos alguns alunos que simplesmente preferem fazer o seu exercício em jejum. Eles não estão interessados em emagrecimento ou queima de gordura,  simplesmente não gostam ou não se sentem bem  se alimentando antes de fazer o exercício. Será que devemos orientar esses alunos a comer alguma coisa de qualquer jeito, mesmo que eles não queiram?

Mears fez um estudo com ciclistas de alto nível e testou o fato de tomar café da manhã ou não antes do exercício e seus efeitos na performance. Não vou me alongar em relação à metodologia do estudo (se quiser lê-lo, a referência esta abaixo), mas a conclusão do autor é que tomar café da manhã e ter uma melhor performance é uma questão psicológica e não fisiológica. Ou seja, se seu aluno acha que vai passar mal se não tomar café da manhã, é melhor tomá-lo. Porém, se ele prefere fazer o exercício em jejum e se sente melhor assim, não tem porquê obrigá-lo a se alimentar antes do treino!

Conclusão

O exercício em jejum, seja HIIT ou aeróbio contínuo, não potencializa a queima de gorduras. Se esse for o objetivo, não tem porquê prescrevê-lo.

Por outro lado, fazer o exercício em jejum não diminui a performance e se seu aluno prefere fazer dessa forma, pode ser feito sem problemas!

Referências

GILLEN, Jenna B. et al. Interval training in the fed or fasted state improves body composition and muscle oxidative capacity in overweight womenObesity, v. 21, n. 11, p. 2249-2255, 2013.

PAOLI, Antonio et al. Exercising fasting or fed to enhance fat loss? Influence of food intake on respiratory ratio and excess postexercise oxygen consumption after a bout of endurance training. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism, v. 21, n. 1, p. 48-54, 2011.

MEARS, Stephen A. et al. Perception of breakfast ingestion enhances high intensity cycling performance. International Journal of Sports Physiology and Performance, p. 1-21, 2017.

Autor:

Vitor Mendonça
Educador físico
Graduado em Educação Física pela UFJF e MBA em gestão de negócios atualmente em curso pela UNINOVE. Sócio Proprietário da Citius.

Deixe um comentário