Avaliação nutricional: um divisor de águas para a eficiência da Nutrição em hospitais

08/08/2017

Conheça os principais objetivos e critérios da avaliação nutricional e entenda como ela deve ser realizada por profissionais da Nutrição Hospitalar

 

Falar de maneira tão contundente sobre um procedimento nutricional não é nenhum exagero. Realmente a avaliação nutricional será a base para toda a terapia e também fundamental para medir a eficiência das intervenções seguintes na Nutrição Hospitalar. O método dá sequência à triagem nutricional, que já abordamos aqui no Blog.

 

Existem quatro objetivos fundamentais nesse processo:

 

1- Identificar o estado nutricional e a gravidade do prejuízo nutricional

2- Definir as necessidades nutricionais (calóricas, proteicas, hídricas, macro e micronutrientes)

3- Estimular a intervenção nutricional precoce

4- Criar referências ou parâmetros de monitoramento nutricional

 

 

Critérios da avaliação nutricional

 

Não se pode negar a importância da avaliação para a terapia nutricional, relevância essa amplificada para pacientes graves que, como já falamos em edições anteriores, são aqueles que mais ficam desnutridos em hospitais.

 

Segundo os guidelines de 2013 da ASPEN (Sociedade Americana de Nutrição Enteral e Parenteral), os principais critérios de avaliação nutricional são os seguintes:

 

a) Ingestão energética deficitária: procura-se estabelecer o grau de abstinência ou diminuição da ingestão de alimentos por um período. Quanto maiores esses dados, mais graves serão as consequências para o estado nutricional

 

b) Perda de peso recente: avalia-se a mudança de peso de acordo com o tempo e calcula-se o percentual de perda de peso; quanto mais alto o percentual, mais grave é o efeito no estado nutricional (acima de 10% de perda, as consequências são muito significativas).

 

c) Perda de gordura subcutânea: verifica-se a perda de tecido adiposo subcutâneo e sua intensidade em locais como tríceps e bola gordurosa de Bichat; são indicadores importantes para demonstrar a deterioração do estado nutricional

 

d) Perda de tecido muscular: verifica-se a perda e sua intensidade nas têmporas, clavícula, ombros, músculos interósseos, escápula, quadríceps, dentre outros;

 

e) Presença e gravidade do edema: avalia-se a presença e localização do edema, que possuem ligação direta com a desnutrição, principalmente a de origem proteica

 

f) Força do aperto de mão: avalia-se a força do aperto de mão, que, por sua vez, representa a força física do paciente por dinamômetro ou exame físico, com o objetivo de avaliar a perda de força e capacidade funcional.

 

A presença positiva de mais de dois itens desses seis já significa prejuízo ao estado nutricional, e quanto mais intensa for a presença no decorrer do tempo, mais grave a desnutrição do paciente.

 

 

Como aplicar esse conhecimento?

 

O quadro inflamatório do paciente crítico pode agravar ainda mais essa situação e gerar, inclusive, alterações bioquímicas nas taxas de glicemias, creatinina, proteínas, equilíbrio hidroeletrolíticos e outras alterações.

 

Apesar de existirem vários métodos para avaliação nutricional, muitos perdem a precisão e a capacidade preditiva em razão das próprias alterações clínicas do paciente grave. O principal motivo é  que elas não permitem comparações com referências. Alguns exemplos são: as alterações das taxas bioquímicas, alterações de pesos por desidratação ou edemas, alterações de ingestão alimentar, alterações cognitivas e as alterações funcionais de todos os órgãos (todos fruto do impacto agudo da doença).

 

Vários são os métodos para avaliação nutricional. Alguns deles buscam obter dados de ingestão alimentar, perda de peso, alterações de consistência da dieta para a sua aceitação, alterações físicas e de força do paciente, alterações bioquímicas, consequências da idade, consequências do estado inflamatório, etc. Porém, não existe um método “padrão ouro” para esse procedimento. A deficiência dos sistemas será muito compensada pela habilidade do avaliador nutricionista que, dependendo do seu grau de especialização e experiência, irá escolher o melhor método para o paciente. Assim, obterá maior precisão nessa etapa tão importante para a Nutrição Hospitalar.

 

E somente através do estudo e especialização na área é possível se aprofundar em todos os métodos de avaliação nutricional, considerando as suas virtudes e limitações para criar uma visão 360° do tema e realizar com eficiência o procedimento.

 

 

 

Augusto Gonzalez Martinez

Graduado em Nutrição pela universidade federal de viçosa UFV | Especialista em Nutrição Clinica pela Universidade São Camilo | Experiência de gerenciamentos de serviços de alimentação e nutrição hospitalar | Capacidade para estruturar SND de hospitais para atender as exigências de órgão acreditadores de excelência e qualidades | Habilidades para orientar protocolos de assistência nutricional de acesso a dietas oral , enteral e parenteral | Conhecimentos para orientar sistema de monitoramentos para eficácia de assistência nutricional hospitalar e de home card | Experiência em docência para estruturar e ministrar cursos e matérias de cursos de graduação e pós - graduação em serviços de alimentação e Nutrição clinica.

 

 

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Categorias: Augusto Gonzalez, Avaliação Nutricional, hospital, nutrição, Nutrição Hospitalar, saúde, Terapia Nutricional, uti


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