Como deve ser a aplicação de bandagens terapêuticas?

Conheça os benefícios das bandagens terapêuticas e como devem ser aplicadas em pacientes por profissionais de Fisioterapia 

 

As bandagens terapêuticas são indicadas para auxiliar no tratamento das disfunções do aparelho locomotor, sejam elas traumato-ortopédicas, desportivas, neurológicas (pediatria e adulto) e oncológicas. Através delas, o paciente consegue ter um aumento da informação proprioceptiva, levando a uma maior sensação de conforto, segurança e confiança.

 

Como esses benefícios são possíveis? O motivo principal é o funcionamento da bandagem, que respeita o conceito da estimulação tegumentar. A pele é o nosso maior órgão, devidamente inervado para conduzir estímulos sensoriais (aferentes) para o sistema nervoso central que prontamente responde com uma reação motora (eferentes). E a bandagem terapêutica atua estimulando um importante receptor sensorial, o disco de Merkel, que capta informações de tato e pressão contínua.

 

Ambos os tipos de bandagem existentes (rígidas e elásticas) atuam no estímulo proprioceptivo. Mas a vantagem da bandagem terapêutica elástica é o conforto durante a execução de movimentos, minimizando riscos de lesões na pele por atrito.

 

Confira como atuar na Fisioterapia garantindo esses efeitos no paciente:

 

 

Como deve ser a aplicação das Bandagens terapêuticas?

 

 

Como no mercado atual existem várias metodologias ou técnicas diferentes, cada uma delas tem sua aplicabilidade. Segundo a Therapy Taping Association, os tipos de cortes na bandagem estão ligados à área de contato ou área de efetivação dos estímulos. Veja qual corte usar para cada situação:

 

 

“I”: estímulo direcionado para uma determinada área e/ou crivagem

“Y”: estímulo em uma área maior e/ou mais ampla

“X”: objetivo de estabilização articular e/ou reorganização postural

“Leque”: utilizado para auxiliar na drenagem de edemas e hematomas.

 

 

A aplicação em si dependerá do tipo de acometimento ou alteração da mecânica funcional. Por isso, é indispensável um bom conhecimento biomecânico e uma avaliação bem realizada. Feita a avaliação e identificação do problema, o fisioterapeuta irá posicionar um ponto fixo da bandagem em um determinado segmento do corpo do paciente, tensionando a bandagem e respeitando a lei de Newton (toda ação tem uma reação). Essa reação esperada da bandagem poderá ativar ou inibir uma resposta muscular.

 

 

Cuidados na aplicação das bandagens terapêuticas

 

No método Therapy Taping, estipula-se que na primeira aplicação o terapeuta deverá aplicar a bandagem sem tensão para que a pele possa se adaptar ao estímulo tátil (dieta sensorial). Quando o profissional não respeita essa conduta e tensiona no primeiro dia, poderá provocar lesões na pele do paciente (machucados, bolhas e outras irritações). Outro dano provocado pela inabilidade da técnica ou até mesmo pelo precário conhecimento biomecânico é o posicionamento errado da articulação, que provoca atrito, dor e, consequentemente, déficit funcional.

 

No caso de dores e/ou disfunções de origem desconhecidas, afecções dermatológicas, processos infecciosos e feridas abertas, o uso das bandagens terapêuticas não é indicado.

 

Todos poderão se beneficiar dessa técnica, mas o profissional deverá ter cuidado com extremos de idade (bebês e idosos), pois nesses casos a pele é muito sensível.

 

 

 

Importância do conhecimento e especialização na área

 

 

Utilizo as bandagens elásticas há oito anos e as rígidas há quatorze. Nesse período, consegui colecionar boas histórias de atendimento na Fisioterapia. Dentre eles, destaco o caso de um paciente que na época tinha 12 anos de idade e que é encefalopata crônico da infância, tendo como comprometimento a diplegia espástica. Ele já era meu paciente há três anos, período em que conseguimos um bom desenvolvimento de sua capacidade neuropsicomotora, evoluindo para marcha com uso de muletas bilaterais e utilizando como recurso terapêutico a cinesioterapia clássica.

 

Houve uma estagnação da evolução do quadro, e o paciente ficou em um período de aproximadamente um ano com as muletas, sem grandes evoluções. A mudança aconteceu quando comecei a aplicação das bandagens visando um maior grau de independência do paciente. Em três meses de aplicação, o paciente começou a deambular sem as muletas. Esse trabalho foi tão maravilhoso  que me rendeu uma publicação da primeira edição do livro “Bandagens Terapêuticas” de Nelson Morini Jr., criador do método Therapy Taping.

 

Esse é somente um exemplo da importância de se especializar para prestar um bom atendimento. E instituições como a Faculdade Redentor oferecem muitas opções de pós em Fisioterapia, como é o caso do curso de Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Desportiva, disponível no IESPE.

 

Não só com a utilização de bandagens terapêuticas, mas com qualquer outro recurso terapêutico, o profissional deverá ter a formação do recurso proposto, pautar sua atuação em evidências científicas e possuir uma boa habilidade na execução da técnica para que possa ter sucesso nos objetivos propostos.

 

Abraço,

 

 

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