Fisioterapia para idosos: 4 fatores essenciais na reabilitação

Entenda como os problemas de saúde da terceira idade devem ser considerados e combatidos pelo fisioterapeuta

Se assistirmos os noticiários, uma das notícias mais frequentes é a de que a população está envelhecendo. Dentro dos consultórios, clínicas de Fisioterapia, academias e instituições relacionadas ao esporte vemos cada vez mais os idosos presentes. Por isso, quero conversar com você sobre a minha experiência na área de Fisioterapia para idosos. Vamos abordar quatro tópicos importantes na saúde dessa faixa etária da população e que o profissional da área precisa conhecer e considerar em seu atendimento:

1- Problemas de degeneração articular

Um problema de saúde muito comum nos idosos são as doenças degenerativas articulares, as famosas artroses. Mas preciso deixar bem claro que a artrose é sinal de envelhecimento e que não é, portanto, uma patologia absurda, mas algo que todos terão.  Outra informação que eu gostaria de compartilhar: artrose não tem cura! Todos vão ter em um grau menor ou maior. Os remédios, protetores articulares, remodeladores de cartilagem e o tratamento feito pelo fisioterapeuta não vão dar um fim definitivo à artrose, mas sim minimizar as consequências dessa lesão degenerativa e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Algo mais preocupante é quando o problema aparece em uma pessoa muito nova e essa artrose acentuada impede, por exemplo, a mobilidade e o desenvolvimento normal dessa pessoa em seu trabalho, lazer e demais afazeres do dia a dia. Mas os estudos da Fisioterapia para idosos (Geriatria)  e nas áreas principalmente da Ortopedia e Reumatologia têm mostrado a eficiência do fortalecimento muscular em casos de artrose, para que possamos diminuir a sobrecarga nas articulações e consequentemente gerar um quadro menor de dor e uma qualidade de vida melhor.

É também extremamente importante para o paciente tomar os remédios e ter o acompanhamento do educador físico e nutricionista, pois esse problema envolve um conjunto de fatores.

2- Imunidade 

Outro fator muito comum, principalmente em pacientes com doenças crônicas dos aparelhos respiratório, ósseo, articular, muscular ou ainda cardiovascular é a imunidade baixa.

Sabe aquele idoso que está tratando com você por causa de uma artrose de coluna, por exemplo,  está muito bem e “do nada” começa a reclamar que não dormiu, que está com a musculatura dura, inchada ou pulsando, uma dor de cabeça repentina , vontade de não fazer nada, entre outros sintomas que o levam a ficar prostrado? Pois é, é muito provável que esse paciente esteja desenvolvendo uma crise aguda de algum processo infeccioso ou inflamatório: gripe, dor de garganta (faringite), sinusite, infecção urinária, entre outros.

Devemos ficar atentos à essas modificações repentinas da qualidade de vida dos idosos. Aqueles idosos que possuem problemas cardíacos ou respiratórios podem apresentar de forma repentina dores no peito, dificuldade para respirar, respiração ofegante, arroxeamento das extremidades, dificuldade para responder aos chamados, fala embolada, entre outros sintomas.

3- Excesso de remédios 

Outro fator é o excesso de remédios. Nós da Fisioterapia não podemos prescrever medicamentos, mas é extremamente importante que nós tenhamos conhecimento dos remédios que os nossos pacientes fazem uso, uma vez que eles interferem no trabalho de reabilitação.

Exemplo: um idoso que faz uso de um ansiolítico (remédio para dormir ou acalmar) em uma dosagem intermediária ou grande, não vai ter um condicionamento neuromuscular favorável para se exercitar em uma atividade de pilates, por exemplo. Ele terá sonolência e diminuição da força muscular devido à quantidade de remédio que está dentro do organismo. Sabemos também que o uso prolongado de diurético (remédio para abaixar a pressão) causa a diminuição da bomba de potássio e, consequentemente, o músculo tem sua qualidade contrátil diminuída. Como podemos exigir que o paciente faça uma atividade funcional, isométrica, isotônica ou pliométrica (força) se a estrutura bioquímica dele não permite que a musculatura funcione de forma eficiente?

Temos que fazer todas essas investigações e não podemos esquecer do organismo, da fisiologia. É imprescindível que, além de conhecer a farmacologia, o profissional de saúde saiba identificar alterações comuns como hipoglicemia, hipotensão, parada cardíaca, crise epilética, entre outras, para que possamos proceder da forma correta diante desse quadro abrupto.

4- Dificuldade em realizar atividades cotidianas

A fraqueza e a dificuldade de locomoção são fatores frequentes que impedem o idoso de realizar tarefas comuns do dia a dia, como tomar banho sozinho, levantar, ir ao banheiro e fazer um almoço. A solução envolve, como você deve ter imaginado, as adaptações especiais à condição do indivíduo. Mas muita gente me pergunta no consultório o que é melhor e o que é permitido fazer, principalmente diante das diversas formas de exercícios como pilates, crossfit, treinamento funcional, musculação, hidroginástica, etc.

Parafraseando o saudoso professor e fisioterapeuta, Dr. Jaime Luiz Nunes de Aguiar, o idoso pode fazer tudo: o que vai dizer se é bom ou ruim será o corpo. É só ficar bem claro que a estrutura corporal dele é diferente de uma pessoa de 18 anos ou 40 anos. Então idoso pode pegar peso? Pode não. Tem que pegar peso! É assim que aumentamos e mantemos o trofismo (força muscular). Temos que gerar o trabalho de carga para que ocorra o cisalhamento daquela estrutura entre a parte muscular e o tecido conjuntivo na placa epifisária, estimulando cada vez mais a função osteoblástica e osteoclástica (fortalecimento ósseo).

Os exercícios com peso, sempre supervisionado, contribuem para as a realização das atividades cotidianas de forma normalizada e é isso que chamamos de qualidade de vida. Para essa qualidade de vida ideal, o profissional precisa saber a quantidade de remédio, qual a doença do seu aluno ou paciente, se há restrição biomecânica ou articular. Assim, quando for atribuída uma etapa de fortalecimento muscular, o profissional de saúde estará trabalhando a parte neurológica, endócrina, biomecânica, cardiovascular e respiratória.

Fisioterapia para idosos: o que podemos concluir?

Nesses anos de formado eu digo, baseado novamente no professor Dr. Jaime Aguiar, que o paciente é um todo, um conjunto de sistemas interligados e funcionantes; no caso da Fisioterapia para idosos, possuir um conhecimento abrangente é essencial para um bom trabalho de reabilitação. Por mais que você tenha afinidade por uma área, precisa saber de tudo um pouco para oferecer o melhor atendimento e principalmente estar atento às respostas que esse paciente lhe dará em seu organismo, sejam elas positivas ou não.

É com grande prazer que batemos esse papo sobre a Fisioterapia na Geriatria e, em breve, estaremos de volta com outro assunto para compartilharmos conhecimento. Um feliz 2018 a todos, com muita saúde, trabalho e prosperidade.

Grande abraço e até a próxima,

Autor:

Daniel Mozzer
Fisioterapeuta
Fisioterapeuta graduado pela Universidade Presidente Antônio Carlos 2004 | Pós Graduado em Fisioterapia Pneumofuncional pela UCB-RJ | Pós Graduado em Fisioterapia Cardiorrespiratória pela UCB-RJ | Formação em Basic Life Suport BLS, American Heart Association, Int. Terziuz, IESPE | Formação em Reeducação Postural e Vestíbulo Sensorial. Fisiomanual JF | Formação em Bandagens Funcionais pelo Hospital Sta Catarina, SP | Coordenador dos cursos de Pós graduação em Fisioterapia FacRedentor, IESPE | Professor dos cursos de Pós Graduação em Fisioterapia Fac Redentor, IESPE | Fisioterapeuta TUPI FC | Sócio proprietário Mover Fisioterapia, Rpg e Pilates.

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