A relação entre massa muscular e hormônios na musculação

Conheça os efeitos dos hormônios e demais fatores na massa muscular e garanta os benefícios do treinamento resistido em alunos

O ganho de massa muscular é uma importante adaptação capaz de promover a melhora de diversos componentes relacionados ao metabolismo, envelhecimento, saúde e estética. Um dos principais acionadores dessa adaptação é a prática de exercícios, principalmente do tipo resistido (musculação). Além disso, o aumento da atividade hormonal decorrente dessa prática atua como coadjuvante para o desencadeamento das respostas celulares que induzem a hipertrofia muscular.

No entanto, muitos acreditam que a magnitude de liberação de hormônios anabólicos durante o treinamento resistido está diretamente relacionada ao nível do ganho de massa muscular crônico. Embora seja tentador fazer essa analogia, os estudos têm mostrado que essa condição não é estabelecida. Ou seja, um treino de musculação visando o aumento de força pura, cuja tensão muscular esteja envolvida na resistência de cargas altas que permitam um máximo de apenas 5-6 repetições, não induzirá mais hipertrofia por liberar mais testosterona ou GH durante o treino. Tampouco isso acontecerá em um treino com maior caráter metabólico composto de maior número de repetições.

Agentes atuantes na massa muscular

Sabe-se que as interações bioquímicas envolvidas no aumento da massa muscular dependem de outros agentes, como fatores inflamatórios, imunes e nutricionais. O que leva a crer que não existe um único elemento modulador da massa muscular e sim um sinergismo entre as vias celulares que permitem essa adaptação morfofuncional do músculo esquelético.

É importante salientar que estamos nos referindo ao aumento natural de liberação hormonal decorrente do estresse mecânico do treinamento de força, visto que o uso exógeno de hormônios artificiais (seja ele esteróide ou proteico) é comprovadamente capaz de aumentar a massa muscular de maneira independente aos outros agentes. Isso é, o uso desses fármacos como estratégia ergogênica mostra-se diretamente associado a ganhos vertiginosos de massa muscular. Entretanto, é importante ressaltar que esse tipo de conduta pode levar ao desenvolvimento de efeitos colaterais e diversas doenças, principalmente as de cunho cardiovascular.

Conclusão

Diante do exposto, os praticantes de musculação devem entender que mais importante que um possível acionamento hormonal decorrente do tipo de treino executado é a interação e o conhecimento dos diversos outros mediadores do ganho de massa muscular, tais quais: alimentação, sono, biorritmo, hidratação, saúde intestinal, saúde emocional e melhora do metabolismo como um todo. Isso faz com que profissionais do Fitness e amantes da prática de musculação se atentem ao conhecimento e atualização sobre o universo do ganho de massa muscular, além de, claro, não comprar ou investir em condutas, suplementos ou promessas milagrosas garantindo resultados diferenciados ou em curto prazo.

Um profissional atualizado e autocrítico estará sempre na frente dos demais, visto que o conhecimento é constantemente reciclado e retransformado. Isso porque a ciência evolui de tempos em tempos, e um conceito que antes era citado como justificativa plausível para a melhora exponente dos resultados estéticos e atléticos pode não ser mais utilizado amanhã.

Referências:

Santiago Tavares Paes. Efeitos do consumo proteico sobre a hipertrofia ocasionada pelo treinamento resistido Uma visão atual. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo. v. 10. n. 55. p.11-23. Jan./Fev. 2016.

Flink J et al. The role of hormones in muscle hypertrophy. The Physician and Sportmedicine, 2018.

Autor:

Santiago Paes
Educador físico
Graduado em educação física - UFJF | Mestre em educação física - UFJF/UFV | Pós graduado em atividade física na saúde e Reabilitação cardíaca- UFJF | Pós graduado em ciências do treinamento Desportivo - UFJF | Atuação como educador físico no Instituto Mineiro de estudos e pesquisas em nefrologia da UFJF e no centro hiperdia de atenção secundária a saúde | Atuação como professor de educação física na rede Sarah de hospitais de reabilitação unidade Salvador- Bahia | Revisor da revista Paulista de Pediatria e da Internacional Journal of Endocrinology and Metabolic Disorders | Mais de 20 artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais.