Administração de trombolítico em pacientes acometidos por IAM no pré-hospitalar

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Conheça a eficiência do medicamento no início dos sintomas

*Este trabalho científico sobre o uso de trombolítico foi apresentado ao programa de pós-graduação em Urgência e Emergência do IESPE-JF, como parte dos requisitos para a obtenção do diploma de Especialista em Urgência e Emergência.

Resumo

Objetivo: apresentar evidências científicas para a administração ou não de trombolítico no atendimento pré-hospitalar em pacientes acometidos por IAM.
Método: revisão integrativa da literatura acerca da assistência de enfermagem ao paciente acometido por IAM e da administração de trombolítico no pré-hospitalar.
Resultados: foram avaliados oito artigos científicos que se enquadravam no objeto de pesquisa.
Discussão: Estudos apontam que a trombólise pré-hospitalar se torna efetiva no início dos sintomas, período que deve ser menor de duas horas. O uso da trombólise pré-hospitalar tem sido considerado padrão nas últimas duas décadas em vários centros europeus. A administração de fibrinolíticos em ambiente extra-hospitalar só é recomendada desde que seja realizada por paramédicos, médicos e enfermeiros devidamente treinados, com protocolos preestabelecidos para a realização.
Conclusão: Observa-se que frente ao tempo de início dos sintomas, tendo profissionais devidamente capacitados e os recursos de diagnóstico certos, a administração do trombolítico torna-se extremamente eficaz.
Descritores: Infarto do Miocárdio; Trombólise; Pré-hospitalar.

Introdução

Uma das principais causas de morte no Brasil e a terceira maior causa de internações no país são as doenças cardiovasculares. Apesar dos avanços tecnológicos para o diagnóstico e tratamento e para as ações de prevenção, essas doenças mantêm-se como a maior causa de mortalidade em todo o mundo. Dentre elas, o infarto agudo do miocárdio (IAM), é uma das mais prevalentes¹.

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é caracterizado pela lesão permanente de uma área do miocárdio, que geralmente ocorre após a ruptura de uma placa e consequente formação de trombo. Isso resulta na oclusão completa da artéria, podendo gerar danos graves e letais no paciente quando não tratada de imediato².

Nas últimas décadas, o tratamento de pacientes com IAM vem apresentando significativa evolução, principalmente com o surgimento de intervenções que restauram de forma rápida o fluxo sanguíneo nas artérias obstruídas durante o infarto³.

A administração de drogas trombolíticas por via endovenosa vem se mostrando um procedimento seguro e simples, além de ser eficaz na redução da mortalidade e de possíveis complicações ocasionadas pelo IAM. Também não são necessárias condições especiais para a sua realização4.

A fase pré-hospitalar no atendimento à vítima de IAM abrange desde o início da dor torácica e o reconhecimento dos sintomas pelo próprio paciente até a procura por primeiros socorros, o que inclui o deslocamento até a unidade hospitalar. Esse transporte é muitas vezes um desperdício de tempo no que se refere ao começo do tratamento, visto que a redução do tempo de início do episódio até a realização da trombólise resulta na redução da mortalidade5.

Diante do que foi apresentado, esta pesquisa tem como objeto de estudo a administração de trombolíticos no atendimento pré-hospitalar em pacientes acometidos pelo IAM e tem como objetivo apresentar evidências científicas para a administração ou não de trombolíticos no atendimento pré-hospitalar em pacientes acometidos pelo IAM.

Trombolítico em pacientes acometidos pelo IAM no pré-hospitalar

Método

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura acerca da assistência de enfermagem ao paciente acometido por IAM e da administração de trombolíticos no pré-hospitalar.

A revisão integrativa de literatura é um método que tem como finalidade sintetizar resultados obtidos em pesquisas sobre um tema ou questão, de maneira sistemática, ordenada e abrangente. É denominada integrativa porque fornece informações mais amplas sobre um assunto/problema, constituindo, assim, um corpo de conhecimento6.

A busca nas bases de dados realizou-se no período de outubro de 2019. Para a seleção dos artigos foi utilizado o acesso online, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), às seguintes bases de dados: Base de Dados em Enfermagem (BDENF), Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e da Scientific Electronic Library Online (SciELO).

Para o levantamento dos artigos foram utilizados os descritores extraídos do DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) do Portal BVS: Infarto do Miocárdio; Trombólise; Pré-hospitalar.

Os critérios de inclusão estabelecidos para a presente revisão foram: artigos publicados nos anos 2000 a 2019; disponíveis completos eletronicamente; e disponíveis na língua portuguesa. Para uma melhor estratégia de análise dos dados encontrados foi adaptada uma tabela matricial, facilitando a organização, interpretação e discussão dos resultados.

Resultados

Os resultados da revisão integrativa da literatura sobre o uso de trombolítico foram descritos na seguinte tabela:  

Discussão

Há décadas, as doenças cardiovasculares são apontadas como a primeira causa de morbidade e mortalidade, tornando-se um desafio para as equipes de atendimento pré-hospitalar, tendo em vista que esses, geralmente, são os primeiros profissionais que chegam ao encontro desses pacientes7.

Estudos apontam que a trombólise pré-hospitalar se torna efetiva diante do tempo de início dos sintomas, período que deve ser menor do que duas horas. Após esse tempo, a principal indicação é a realização de angioplastia primária8,9, 10.

O uso da trombólise pré-hospitalar tem sido considerada padrão nas últimas duas décadas em vários centros europeus, em que um médico ou um enfermeiro treinado fazem a avaliação, o diagnóstico, a triagem e o tratamento do IAM. O uso no pré-hospitalar também resultou em uma significativa diminuição da mortalidade em relação ao uso no intra-hospitalar, diferença também atrelada ao tempo de início dos sintomas9.

O IAM é uma doença de alto risco e medidas pré-hospitalares, quando utilizadas, melhoram o prognóstico dos pacientes. O uso de eletrocardiogramas (ECG) pré-hospitalares são um recurso ideal na avaliação de dor torácica, direcionando para mais rápida iniciação da terapia de reperfusão sem substancialmente atrasar o tempo extra-hospitalar8,9.

A administração de fibrinolíticos em ambiente extra-hospitalar é recomendada desde que seja realizada por paramédicos, médicos e enfermeiros devidamente treinados e com base em protocolos preestabelecidos para a sua realização. É importante ressaltar que para a realização de tal procedimento a equipe deve estar capacitada para reconhecer, identificar e tratar o IAM e suas complicações, incluindo o conhecimento da rigorosa indicação de tratamento, das contraindicações, do uso do fibrinolítico,do uso de desfibriladores e dos meios de comunicação adequados para orientação médica (quando necessária), além de uma boa interpretação do ECG8,9, 10.

Muitas das vezes, pacientes vítimas de IAM não são beneficiados pela terapia de reperfusão coronariana em virtude da demora no atendimento e da transferência para uma unidade hospitalar. Há indicadores pré-hospitalares que apontam que as redes de assistência ao paciente com SCA necessitam de intervenções desde a atenção primária, a fim de garantir um diagnóstico rápido e uma melhor conduta10.
Uma lista de conferência pré-hospitalar pode também identificar pacientes com contraindicações para a realização da terapia fibrinolítica8.

A utilização de estratégias para trombólise em ambiente pré-hospitalar no IAM, no cenário do SUS, com o uso do serviço de atendimento móvel de urgência (SAMU), pode reduzir consideravelmente a mortalidade precoce e a morbidade desses pacientes. O benefício à saúde da intervenção, isto é, à possibilidade de perfusão precoce, pode significar menor custo a médio e longo prazos de internação9.

Porém, em contrapartida, um estudo realizado na cidade do Rio de Janeiro demonstrou pouca probabilidade de pacientes com IAM receberem qualquer tipo de terapia reperfusional em ambiente pré-hospitalar, tendo em vista que a maioria das instituições referência não possuem procedimentos e rotinas estruturados9.

Trombolítico em pacientes acometidos pelo IAM no pré-hospitalar

Considerações finais sobre o uso de trombolítico

Diante dos achados, pode-se concluir que, mesmo não sendo tão abordada no Brasil, essa prática tem mostrado bons resultados no exterior. Observa-se que frente ao tempo de início dos sintomas, tendo profissionais devidamente capacitados e os recursos de diagnóstico certos, a administração do trombolítico em atendimentos pré-hospitalares torna-se extremamente eficaz, tendo como um dos benefícios a redução no tempo de internação hospitalar desses pacientes.

Um importante recurso observado nos trabalhos é a informação à população, tendo em vista que a administração do trombolítico é baseada no tempo de início dos sintomas. Com a população informada sobre como se deve proceder em casos de doenças coronarianas, a utilização do trombolítico se torna ainda mais eficaz, pois o tempo de abordagem do pré-hospitalar será ainda mais rápido.

Referências bibliográficas

  1. OLIVEIRA, M.A.; ALBUQUERQUE, G.A.; ALENCAR, A.M.P.G. Satisfação do cliente portador de infarto agudo do miocárdio acerca dos cuidados de enfermagem. Rev. Rene, Fortaleza, v. 10, n. 1, p. 95-103, 2009.
  2. PESARO, A. E. P., SERRANO Jr, C. V., & NICOLAU, J. C.Infarto agudo do miocárdio: síndrome coronariana aguda com supradesnível do segmento ST. Rev Assoc Med Bras, v.50, n.2, p. 214-20, 2004.
  3. BASTOS, A.S.; BECCARIA, L.M.; CONTRIN, L.M. et. al. Tempo de chegada do paciente com infarto agudo do miocárdio em unidade de emergência. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, v. 27, n. 3, p. 411-8, 2012.
  4. THEISEN, C.I.; MACHADO, M.E. Assistência de enfermagem na terapia trombolítica em pacientes pós-infarto agudo do miocárdio. Revista Saúde e Desenvolvimento, v.1, n. 2, p. 116-32, 2012.
  5. GOUVEIA, V. A. Atitudes pré-hospitalares frente aos sintomas sugestivos de IAM, em pacientes atendidos em uma emergência cardiológica do Recife. 2009. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pernambuco.
  6. Ercole, F. F., Melo, L. S. D., & Alcoforado, C. L. G. C. Revisão integrativa versus revisão sistemática. Revista Mineira de Enfermagem, v.18, n. 1, p.  9-12, 2014.
  7. TEMPASS, L. R. et al. Características do atendimento pré-hospitalar de pacientes com suspeita ou diagnóstico de síndrome coronariana. Rev. enferm. UFPE [online], v. 10, n. 9, p. 3293-3301, 2016.
  8. MANSUR, A. P.; RAMOS, R. B. Cuidados pré-hospitalares na síndrome coronária aguda.
  9. ARAÚJO, D. V. et al. Custo efetividade da trombólise pré-hospitalar vs intra-hospitalar no infarto agudo do miocárdio. Arq Bras Cardiol, v. 90, n. 2, p. 100-107, 2008.
  10. MAIER, G. S. O.; DELLAROZA, M. S. G.; MARTINS, E. A. P. Indicadores pré-hospitalares na avaliação da qualidade da assistência ao paciente com síndrome coronariana aguda. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 36, n. 3, p. 49-55, 2015.
Laís Simas

Laís Simas

Autora

Enfermeira especialista em Urgência e Emergência pelo IESPE.

Gustavo Duarte

Gustavo Duarte

Orientador

Professor da pós-graduação em Urgência e Emergência no IESPE.

Lattes
Amanda Dias

Amanda Dias

Orientadora

Coordenadora da Pós-graduação em Urgência e Emergência no IESPE.

Lattes
Marcos Schlinz

Marcos Schlinz

Orientador

Supervisor de ensino das pós-graduações e extensões de Enfermagem no IESPE.

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