6 passos para a correta admissão do paciente na UTI

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no twitter
Twitter

Aplique estas dicas para garantir a saúde do paciente nessa importante fase do atendimento

Como deve ser a admissão do paciente na UTI? Para te ajudar a ficar preparado, reuni dicas baseadas nos meus mais de 12 anos de experiência como enfermeiro da UTI e nas mais recentes diretrizes que também são ensinadas na pós-graduação de Enfermagem em Cuidados Intensivos. Essas sugestões servem para nortear as ações principais e prioritárias no seu check-list de enfermeiro. Por que aprender? Como vou explicar abaixo, esse é um dos momentos mais importantes e definidores da vida do paciente.

A importância de uma correta admissão do paciente na UTI

Na UTI, muitas vezes recebemos pacientes em quadro hemodinâmico muito deteriorado, precisando de intervenções imediatas. Nesses casos não podemos, inclusive, retirar o paciente da maca de transporte para a cama. Algumas intervenções acabam sendo realizadas pela equipe na própria maca de transporte, a fim de manter a viabilidade hemodinâmica do paciente gravemente enfermo. 

Alguns desses pacientes estão aparentemente bem, mas podem ser comparados com uma “bomba-relógio”. Esse quadro imprevisível pode ocorrer por comorbidades pré-existentes importantes, pela agudização delas ou até pela ausência de resultados de exames que apontem, por exemplo, um IAM (Infarto Agudo do Miocárdio) importante. 

Quando a equipe de enfermagem não trabalha com base em prioridades nos cuidados críticos, graves acometimentos ou evoluções favorecem os eventos indesejáveis. Na Terapia Intensiva não lidamos com surpresas ou o inesperado, pois é um ambiente controlado. Dotado de aparato tecnológico e qualificação dos recursos humanos, a UTI é totalmente voltada para os cuidados críticos e é um lugar onde a monitorização e a estabilização hemodinâmica são a meta principal. Isso jamais pode ser negligenciado no momento da admissão do paciente. 

Esse primeiro momento do paciente na UTI é crucial e definidor, inclusive, do prognóstico. Daí a importância do enfermeiro responsável ser o definidor da habilitação do leito para a admissão do paciente, pois toda a logística e os recursos humanos devem estar preparados para a admissão do paciente. Reafirmo: ela é muitas vezes o momento mais importante da vida desse paciente e de seus familiares. 

A troca da roupa de cama, vestes do paciente e a SAE não podem jamais ser prioritárias à devida monitorização hemodinâmica do paciente, à notificação imediata da equipe, bem como às intervenções cabíveis e possíveis. O tempo é essencial porque pode significar a preservação neurológica, cardiológica ou até da vida do paciente.

Passo a passo para a admissão do paciente na UTI

Abaixo está um passo a passo que eu preparei para que você possa estar pronto e seguro na hora da admissão. E é fácil de decorar! Para facilitar a memorização de uma maneira divertida, as iniciais formam “Marcos”, que é o meu nome 😉.

1º- Monitorização

Assim que o paciente (quer seja grave ou não) for admitido na UTI, ele precisa ser monitorado prontamente, como prioridade máxima. Quando realizamos a monitorização não invasiva no ato admissional, temos imediatamente os dados vitais que nos informam a condição geral do paciente. Esses dados podem indicar a necessidade de intervenções imediatas para a manutenção ou preservação da vida do paciente. Um exemplo é a administração de alguma medicação vasopressora de urgência que favoreça os batimentos cardíacos ou promova melhora da pressão arterial, evitando-se uma parada cardiorrespiratória. Outro é a obtenção de uma via aérea avançada urgente, para garantir a ventilação/oxigenação de um paciente. A monitorização lhe fornece dados vitais e essenciais na manutenção do equilíbrio hemodinâmico do paciente, evitando-se maiores agravos ou até mesmo o óbito que seria evitável.

Admissão do paciente na UTI
A monitorização é essencial na UTI e deve ser priorizada na capacitação e estudo do enfermeiro.

2º – Acesso Venoso Seguro

A grande maioria dos pacientes sob cuidados críticos ficam sob infusões contínuas e/ou intermitentes. Algumas dessas medicações são responsáveis por manter a regularidade e/ou a efetividade dos batimentos cardíacos, a manutenção da pressão arterial e a proteção neurológica e cardiovascular. O fato do paciente não ter um acesso venoso patente pode comprometer a sua vida, além de complicar o prognóstico ou as sequelas de um quadro grave em potencial.

Admissão do paciente na UTI

3º – Respiração / Ventilação 

É importantíssimo que o padrão respiratório/ventilatório do paciente também seja priorizado, pois o aporte de oxigênio não invasivo ou invasivo, o posicionamento no leito e outras intervenções podem ser imprescindíveis. Elas devem ser implementadas prontamente para evitar, por exemplo, uma fadiga respiratória que pode culminar em hipercapnia, hipóxia severa e/ou parada respiratória.

Admissão do paciente na UTI

4º – Comunicação Imediata

Comunicar prontamente toda e qualquer alteração dos dados vitais colhidos nos itens anteriores, para que tenhamos otimização máxima do tempo da disfunção à intervenção, tornando efetivas as ações admissionais dos pacientes na UTI. Assim que alguma anormalidade for averiguada, deverá ser resolvida ou então promovida a estabilização o mais prontamente possível. O tempo pode representar “cérebro”, “músculo cardíaco” ou a perda da oportunidade de evitar o agravo ou óbito do paciente. Um dos maiores motivos e metas da UTI é a estabilização hemodinâmica, que está diretamente relacionada com a comunicação efetiva, em alça e em circuito fechado. 

Admissão do paciente na UTI

5º – Organização da Unidade do Paciente

Organização do leito/box no qual o paciente foi instalado e das devidas identificações do paciente (com leito e riscos em potencial), de forma que o ambiente no qual o paciente ficará internado esteja personalizado de fato. Além de ser imprescindível para a promoção da segurança e qualidade da assistência, ainda promove e favorece a humanização do atendimento. Assim, o paciente não é um número de leito e sim uma pessoa com identidade e nome. Também devem ser sinalizados no leito alguns riscos que o paciente apresenta, auxiliando diretamente a equipe multidisciplinar na manutenção e promoção do cuidado intensivo seguro e de qualidade. 

Admissão do paciente na UTI

6º – Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE)

Depois que a estabilização inicial vital do paciente está garantida, aí sim devemos proceder com a realização da SAE, contemplando: a coleta de dados, de enfermagem ou do histórico de enfermagem; diagnóstico de enfermagem; planejamento de enfermagem; implementação das ações propostas; avaliação de enfermagem/evolução. Assim garantimos que os cuidados críticos de enfermagem sejam também seguros, de qualidade e sistematizados.

Admissão do paciente na UTI

Espero que esses passos te ajudem na admissão do paciente na UTI! Tem experiência na área e sabe de outra etapa importante nesse atendimento? Compartilhe comigo nos comentários 😊.

Compartilhe!
Marcos Schlinz

Marcos Schlinz

Professor de Pós-graduação e Extensão do IESPE; Diretor de BLS (Basic Life Support) e Instrutor do ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support) pela AHA; Enfermeiro Intensivista Titulado em Terapia Intensiva pela ABENTI/AMIB; Membro da Diretoria da ABENTI; Membro do Depto. de Enfermagem da SOMITI. Vice-coordenador do Núcleo da Zona da Mata Mineira da REBRAENSP.

Deixe um comentário

Posts relacionados

Turma Indisponível We will inform you when the product arrives in stock. Please leave your valid email address below.