Por que as áreas de Educação Física e Nutrição devem se complementar?

Descubra os principais benefícios gerados na saúde do paciente através da união entre os conhecimentos de Educação Física e Nutrição

 

 

Quando o assunto é emagrecimento, muitas pessoas se perguntam: O que emagrece mais? Alimentação ou prática de exercícios físicos?

 

Antes de responder essa pergunta precisamos entender que o metabolismo humano é o principal gerenciador das respostas fisiológicas que regem as reações bioquímicas para o ganho/perda de peso ou ganho/perda de massa muscular.

 

Ou seja, ambos são capazes de atuar nas vias diretas e indiretas responsáveis pela coordenação das respostas sinalizatórias que modulam, entre outros desfechos, a composição corporal.

 

Diante desse panorama, é importante compreender que existem diversos componentes que ativam ou reduzem a capacidade metabólica dos sistemas energéticos corporais em utilizar os substratos das reservas de energia corporal. Também afetam todas as rotas pelas quais outras moléculas coordenam as reações em prol da utilização ou armazenamento dos nutrientes.

 

Compreendido isso, é importante que ambos os gatilhos metabólicos e áreas correspondentes (Educação Física e Nutrição) sejam pensados de forma a otimizar ou reduzir o funcionamento das reações de metabolização dos nutrientes para, consequentemente, modularem as adaptações fisiológicas que irão gerenciar tanto o grau de mobilização das reservas de energia quanto a produção de energia (agudamente ou cronicamente).

 

 

Efeitos positivos da alimentação e exercício físico no corpo

 

Por um lado, existem adaptações que são mais profundamente ocasionadas pela alimentação em si, como as de enzimas e proteínas antioxidantes e também da constituição da microbiota intestinal através do consumo de alimentos pró e pre-bióticos. Por outro lado, a prática regular de exercícios físicos tem uma capacidade potencialmente maior que a alimentação  de promover estímulos para o aumento da síntese de novas mitocôndrias. Esse processo irá resultar no aumento da densidade mitocrondial celular a fim de elevar a absorção de oxigênio na célula e, consequentemente, contribuir para o aumento da capacidade cardiorrespiratória (por aumentar o Vo2 max).

 

Além disso, um outro importante fator que só o exercício é capaz de gerar é o aumento da massa muscular magra. Exercícios de resistência, como a musculação, desencadeiam estímulos mecânicos que se traduzem em impulsos metabólicos nas vias sinalizatórias de síntese de proteínas, o que leva cronicamente à hipertrofia muscular esquelética.

 

Diante da capacidade metabólica de ambos, fica impossível dissociar qual gatilho apresenta maior importância para o metabolismo. Existem condições que podem indicar qual das duas pode estar intervindo em maior escala (positivamente ou negativamente) na modulação do funcionamento do corpo.

 

Por exemplo: um sujeito que alimenta-se mal, porém pratica exercícios físicos regularmente, pode não apresentar comprometimentos quanto à marcadores de saúde. Paralelamente, o contrário também pode acontecer. Um indivíduo sedentário, mas que se alimenta corretamente, pode também não apresentar comprometimentos metabólicos.

 

A grande questão é que, naturalmente, nosso corpo sofre entropismo à medida que envelhecemos, principalmente por causa do oxigênio. O elemento químico que nos permite viver é o mesmo que nos oxida e retira nossa capacidade de viver.

 

O estresse oxidativo é uma reação natural de nosso corpo. As espécies reativas do oxigênio são naturalmente geradas diariamente. No entanto, somente em demasia é que são capazes de gerar radicais livres que aumentam a atividade pró-inflamatória e podem levar a comprometimentos metabólicos e patológicos.

 

Tanto o exercício quanto a alimentação são capazes de gerar adaptações que potencializam as defesas naturais contra o estresse oxidativo. Baseado nesses conhecimentos, qualquer pessoa que compreenda esse mecanismo entenderá que a alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos aumentará as defesas naturais contra a ferrugem gerada pelo oxigênio a todas as células de nosso corpo e, com isso, gerará menos estresse oxidativo durante o viver.

 

Ou seja, na pior das hipóteses, uma das garantias de se viver melhor e mais longamente é fazer com que nosso corpo tenha boas condições de combater a ferrugem natural gerada pelas reações oxidativas em nossas células.

 

 

Qual o papel dos profissionais de Educação Física e Nutrição?

 

Por mais que saibamos que não existem pessoas imortais, pelo menos tentar expandir o tempo de vida no planeta Terra é o desejo de praticamente todos os terráqueos.

 

Tanto o professor de educação física quanto o nutricionista precisam compreender melhor o quanto o sinergismo e a constante retroalimentação entre esses dois gatilhos são os principais pilares para a modulação positiva do metabolismo como um todo. Não à toa, Educação Física e Nutrição frequentemente compartilham conhecimentos e atuam em conjunto, como acontece no curso de pós-graduação em Nutrição Clínica e Desportiva.

 

A partir do entendimento de como as vias bioquímicas e fisiológicas se contemplam através dos estímulos nutricionais e mecânicos, fica mais fácil mapear e identificar quais hábitos e comportamentos devem ser trabalhados no intuito de reativar e sensibilizar novamente as vias metabólicas “bloqueadas” ou pouco eficientes.

 

O profissional de saúde deve saber rastrear quais das vias hierárquicas regem o metabolismo (hormonal, inflamatória, imune, absortiva, enzimática, proteica e epigenética).

 

Feito isso, ele conseguirá elaborar intervenções através da redistribuição adequada do consumo de nutrientes, além de projetar um treinamento físico mais próximo do perfil, comportamento e limitações do paciente/aluno.

 

Além da intervenção propriamente dita, ambos os profissionais são capazes de identificar quais hábitos estão sendo realizados de forma inadequada pelo paciente/aluno. Através de uma anamnese ou da constante comunicação é possível concluir que comportamentos diários podem estar desencadeando direta ou indiretamente a ineficiência das vias hierárquicas que orquestram o comportamento do metabolismo.

 

O conhecimento para isso não está atrelado à titulação profissional e sim à capacidade adquirida enquanto aluno de graduação, pós-graduação (Educação Física e Nutrição) ou da experiência profissional nas duas áreas.

 

Identificar certos indícios no paciente é de suma importância para detectar rastros clínicos que serão moldados através da reorganização do plano alimentar e podem influenciar também a programação das variáveis envolvidas na prescrição do treinamento físico.

 

Alguns deles são: comportamentos emocionais comprometedores, insônia ou hábitos que inibam um bom sono, sinais de intolerância alimentar ou de estado nutricional, morfologia e aspecto corporal, compulsões, inquietações emocionais, relação interpessoal ou social, sinais cardiovasculares, desvios posturais e comprometimentos osteomioarticulares, frequência de evacuação intestinal ou constipação, estado de hidratação, entre diversos outros.

 

Podemos concluir que Educação Física e Nutrição, através respectivamente do exercício físico e alimentação, são ambas  capazes de desencadear adaptações necessárias para a obtenção da saúde através de um bom comportamento metabólico. Entretanto, devem se complementar, inicialmente de modo global e progressivamente convergindo para algo mais focal e individual.

 

É importante saber como identificar quais vias metabólicas podem estar prejudicadas a fim de implementar práticas alimentares e de exercício físico que sejam capazes de modulá-las adequadamente. Assim, será possível melhorar o funcionamento do corpo como um todo e garantir menos efeitos prejudiciais à saúde ao longo da vida e do envelhecimento.

 

 

 

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Para que você nutricionista se especialize na área, confira a pós-graduação em Nutrição Clínica e Desportiva. Se você é profissional de educação física, visite a página das pós-graduações em Educação Física Aplicada ao Fitness e Educação Física Aplicada a Grupos Especiais.

 

 

 

Referências:

 

Santiago Tavares Paes et al. Metabolic effects of exercise on childhood obesity: a current view. Rev Paul Pediatr 2015 Mar; 33(1): 122–129.

 

Santiago Tavares Paes et al. Childhood obesity: a (re) programming disease? Journal of Developmental Origins of Health and Disease 2016 v.7, n.3 2016, pp. 231-236.

 

 

 

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