Exercício físico e apetite: a prática de atividades físicas reduz a fome?

Conheça os fatores envolvidos no emagrecimento e sensação de saciedade

Quem pratica atividades físicas sente menos fome? O que acontece no organismo do aluno para que ele tenha mais ou menos apetite?

Considerando a relação valiosa entre Educação Física e Nutrição e também a importância de compreender esses fatores para orientar o aluno que procura emagrecer, hoje vou falar um pouco mais sobre a relação entre exercício físico e apetite.

Se você é profissional do Fitness, aproveite para conferir o texto que já publicamos aqui no blog sobre emagrecimento, apetite e exercícios físicos.

O que é necessário acontecer para emagrecermos?

Para começar a falar de exercício físico e apetite, precisamos primeiro compreender o processo de emagrecimento.

Para emagrecermos é necessário que nosso corpo seja eficientemente capaz de processar toda a energia que circula dentro dele. Essa energia pode ser diretamente advinda do que ingerimos diariamente ou indiretamente processada utilizando nossas reservas de energia interna, que são o tecido adiposo, tecido músculo esquelético e, em menor escala, o tecido hepático.

Essa utilização da nossa reserva interna é denominada metabolismo. Ao melhorá-lo, o aluno consequentemente passa a “queimar mais gordura e açúcar contido nesses tecidos” ao longo dos dias. E a maior utilização dessas reservas,  reduz principalmente a quantidade dos estoques de gordura contidos em diferentes partes do seu corpo , tais quais barriga, coxas, glúteos, costas e braços.

A relação entre hormônios e metabolismo no emagrecimento

Uma das principais vias que gerenciam o comportamento de nosso metabolismo é a via hormonal. Nossos hormônios coordenam, dentre outros agentes, o quanto uma célula será acionada metabolicamente.

Exemplo disso é o hormônio adrenalina que é liberado pela medula das glândulas adrenais. Ele é responsável por chegar na célula de gordura e provocar a sua quebra em partículas menores, conhecidas como ácidos graxos, e são essas moléculas que trafegam pelo sangue e são captadas pelos músculos.

Quanto maior a captação muscular, mais esses ácidos graxos são transformados em energia para sustentar a contração muscular exigida pelo exercício físico, batimentos cardíacos e demais suportes energéticos requisitados por outros órgãos.

Diante desse racional, fica evidente como o papel da alimentação e do exercício físico são fatores essenciais para se emagrecer ou, por outro lado, engordar.

Exercício físico e apetite

A prática regular de exercício físico faz com que nossas células fiquem mais sensíveis à ação dos hormônios, o que leva as respectivas glândulas que as produzem a liberarem menos quantidade  e resulta na preservação da glândula, em menos desequilíbrio entre as funções do corpo e, consequentemente,  melhora o metabolismo, aumentando o emagrecimento.

O apetite é um sinal hormonal. Quanto mais conquistamos as adaptações provenientes do exercício físico, mais eficiente nosso corpo se torna e isso também é válido para o comportamento alimentar, que abrange os sinais hormonais responsáveis pela fome, apetite e saciedade. Esse último é muito bloqueado pela quantidade de tecido adiposo de uma pessoa, ou seja, quanto maior for o percentual de gordura do indivíduo, menos saciado ele fica quando come, o que leva a um comportamento de excesso de alimentação.

Diante da capacidade que a prática de exercício físico exerce sobre o aumento da quantidade de oxigênio que nossos músculos são capazes de absorver e levando em consideração que a gordura é “queimada” pelo oxigênio, quanto maior for a capacidade oxidativa do músculo, maior será a utilização dos ácidos graxos que compõem os estoques de gordura.Consequentemente, menos bloqueio o excesso de gordura ocasionará nas glândulas cerebrais que processam o sinal de apetite e, assim, menos vontade de comer uma pessoa que pratica exercícios terá.

Em contrapartida, quanto maior for o percentual de gordura do indivíduo e menor for a prática de exercícios, maior será o apetite e menos controle sobre a vontade de comer (e habilidade de se sentir saciado com “pouca” comida) ele terá. O resultado disso? Você já sabe, não é?

Referências

Blundell J. E. et al. Appetite control and energy balance: impact of exercise. obesity reviews (2015) 16 (Suppl. 1), 67–76.

Paes, Santiago T. et al. Metabolic effects of exercise on childhood obesity: a current view. Revista Paulista de Pediatria. 2015;33(1):122-129.

Paes, Santiago T. et al. Childhood obesity: a (re) programming disease? J Dev Orig Health Dis. 2015, 1-6.

Autor:

Santiago Paes
Educador físico
Graduado em educação física - UFJF | Mestre em educação física - UFJF/UFV | Pós graduado em atividade física na saúde e Reabilitação cardíaca- UFJF | Pós graduado em ciências do treinamento Desportivo - UFJF | Atuação como educador físico no Instituto Mineiro de estudos e pesquisas em nefrologia da UFJF e no centro hiperdia de atenção secundária a saúde | Atuação como professor de educação física na rede Sarah de hospitais de reabilitação unidade Salvador- Bahia | Revisor da revista Paulista de Pediatria e da Internacional Journal of Endocrinology and Metabolic Disorders | Mais de 20 artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais.
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