O imaginário infantil e suas implicações para a formação do caráter

Entenda como o imaginário infantil funciona e aprenda a desenvolver a integridade da criança nessa importante fase do crescimento

 

Quando pensamos em uma unidade elementar para a Física, temos como objeto o átomo. O mesmo raciocínio para a Biologia nos leva até à célula, então, para a psiquê, podemos concluir analogamente que a unidade elementar é o pensamento.

 

Contudo, o pensamento, por possuir um caráter virtual, se forma a partir da linguagem, o que nos deixa em maus lençóis em relação à teoria anterior. Nesse caso, pensamento e linguagem se confundem como a voz interna que nos dita palavras e contextos enquanto nossos órgãos de sentido captam os mais diferentes estímulos.

 

Na Neuropsicopedagogia, por exemplo, estudamos as funções cerebrais superiores e quais são as alocações no córtex, principalmente no lobo parietal direito, Área de Wérnicke e Área de Broca, responsáveis pela construção da linguagem. É um estudo bem aprofundado.

 

Até próximo aos três anos de vida, a criança se ocupa da concretude do mundo. O fazer e tocar são as formas com que seu vocabulário de signos se constrói. O passo seguinte, por volta dos quatro e cinco anos, é o da abstração do pensamento e internalização dos signos, em que a criança se ocupará do pensar e a linguagem interna construirá o elenco de signos e significados que farão parte do seu arcabouço do imaginário e fantasia.

 

Sobre o imaginário infantil, Durand, citado por Mello, afirma:

 

A ideia e as experiências do funcionamento concreto do pensamento comprovam que o psiquismo humano (mente) não funciona apenas da percepção imediata e de um encadeamento racional de ideias, mas também, nas imagens irracionais do sonho, da neurose ou da criação poética. (DURAND apud MELLO, 2016, p.1).

 

Como desenvolver o imaginário infantil saudável?

 

A fantasia, portanto, ganha forma nos processos de aquisição da linguagem e, por conseguinte, do pensamento da criança. Jogos simbólicos, amigos imaginários, pequenos sonhos e principalmente os contos, começam a fazer parte integrante da construção infantil e, ao brincar, a linguagem se consolida em uma verdade interna estruturante.

 

O conjunto dessas verdades fazem com que a criança tenha respaldo lógico-estruturado para balizar sua tomada de decisão, sendo esse processo o precursor da sua inteligência emocional.

 

Assim sendo, quando trazemos para o imaginário infantil histórias cujos personagens vivem dilemas e verdades conflitantes, dimensionamos para a criança o que significa tal conflito e a conduzimos a pensar em outras tantas maneiras de lidar e resolver essas demandas, iniciamos um processo de tomada de decisão muito mais saudável.

 

Fazemos com que sua autonomia diante de pequenas questões seja cada vez maior e que ela saiba se posicionar assertivamente para que seu controle emocional seja interno, não deixando-se abalar com facilidade pelas pequenas frustações. Contribuímos, assim, para a formação de um sujeito mais íntegro.

 

Esse mosaico descrito é a chave para a formação do caráter e, por isso, a leitura e conversa são fundamentais para que o sujeito infantil seja edificado. Enriquecer a linguagem e, como consequência, o pensamento, fará com que a tomada de decisão diante de qualquer conflito seja respaldada por uma lógica moral e de valores.

 

 

Três passos para a educação emocional de alunos

 

Ficam como lição três passos para contribuirmos na educação emocional de nossos alunos:

 

1 – Leitura e conversa: contar histórias explicando os dilemas de seus protagonistas e fazendo com que a criança crie finais alternativos é fundamental para a construção da sua inteligência emocional.

 

2 – Pequenas frustrações educam: frustrar a criança mostrando a ela seus limites não é o mesmo que frustrar seus sonhos. No primeiro caso estamos falando de autoajuste, em que a criança se reconhece como ser que falha e que precisa se corrigir. Sem isso não há educação nem ética.

 

3 – Construir o conceito do fazer o meu melhor, ao invés do fazer o possível: Quando fazer o melhor, independentemente do resultado, é o centro da tomada de decisão da criança, essa se torna mais focada e persistente, evitando assim más condutas como a procrastinação.

 

 

 

 

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