O temido monstro chamado linguagem matemática – parte 1

Entenda a importância da linguagem matemática para a criança e conheça as capacidades que devem ser desenvolvidas para garantir esse aprendizado

Não é raro vermos um diálogo acontecer no momento em que a criança está realizando suas tarefas ou estudando em casa os conceitos e exercícios que envolvem a linguagem matemática: perguntam aos pais se eles estudaram determinado assunto e ouvem prontamente que sim, com todo orgulho, mas que já faz tanto tempo que não mais é lembrado.

É, portando, possível aprender essa linguagem tão particular de modo que seja esse aprendizado consolidado, ainda que eu não seja um profissional da área de Exatas, que convive diariamente com a matemática?

Por raciocínio matemático podemos compreender todos os mecanismos e formas de pensar e resolver problemas, assim como tarefas do cotidiano, por meio de conceitos, regras ou algoritmos matemáticos. Aqui uma interjeição: fazemos isso o tempo todo! Desde a compra no supermercado até o cálculo da melhor rota para voltar para casa depois do trabalho, o raciocínio matemático está presente em nosso cotidiano.

Essa definição bastaria para responder à pergunta: “por que estudar matemática na escola?”. Contudo, quando conversamos com os professores e principalmente com os pais de alunos que possuem dificuldade nessa linguagem, verificamos que alguns pré-requisitos não estão claros no processo de ensino da matemática.

4 princípios para o aprendizado da linguagem matemática

A matemática, como qualquer outra ciência, só é aprendida com excelência quando os processos de ensino se adequam aos estágios de desenvolvimento da criança. Considerando a Neurociência da Aprendizagem e os conceitos da Psicopedagogia, os princípios essenciais para a compreensão e utilização dessa linguagem matemática são os seguintes:

1- Consciência numérica:

É o primeiro princípio, em que a criança percebe o mundo em suas quantidades, sequências, ordenamentos e métricas. Fica muito evidente quando se pergunta a idade da criança e ela aponta o número com seus dedos, e estima sua idade futura apontando da mesma forma. Já vimos em textos anteriores que a aprendizagem nasce do conhecimento prévio sobre o assunto aprendido, assim sendo, consciência numérica é fundamento da aprendizagem matemática.

2- Percepção visuoespacial:

É outro importante conceito adquirido na primeira infância, em que a profundidade, as relações, perspectivas, distâncias, dentre outras valências, começam a fazer parte da rede neuronal da criança, fundamentando a linguagem geométrica vindoura nos anos escolares.

3- Estruturação da linguagem:

Outro fator importantíssimo para a futura aprendizagem matemática. Os símbolos, a representação escrita dos números e a interpretação objetiva de enunciados farão com que a criança desenvolva uma melhor compreensão do objeto central do problema para qual será dada a solução. Somos seres simbólicos em nossa essência.

4- Desenvolvimento das funções executivas:

É também decisivo na qualificação desse processo. Estimulando a criança a planejar suas brincadeiras, organizar suas coisas, arrumar o espaço físico de convivência, organização sequencial por tamanho, cores ou formas, qualificando sua memória operacional bem como criando seu senso de autocorreção, construiremos um modelo mental multidimensional que será de habitual utilização pela criança na aprendizagem da linguagem matemática.

Conclusão

Todo esse processo é de qualificação do nível intelectual, portanto, utiliza-se de material concreto, criando, junto com a criança, os meios de aprendizagem de forma interativa e lúdica. Eles farão que essa descoberta psicomotora seja prazerosa, logo desenvolvendo sua predisposição para a aprendizagem dessa linguagem tão particular.

No próximo artigo falaremos sobre a diferença da percepção da linguagem matemática para meninos e meninas. Também sobre as áreas do cérebro responsáveis por cada segmento da linguagem matemática e os seis itens fundamentais para a otimização da aprendizagem matemática.

Autor:

Sérgio de Carvalho
Educador físico
Pós-graduado em Neuropsicopedagogia (UCAM) | Licenciatura plena em Educação Física (UFJF) | Professor de Pós-graduação em Psicopedagogia e Gestão Pedagógica | Diretor da Clínica MomentuM/Desenvolvimento Integral e psicomotricidade.
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