Novembro Azul 2020: como você pode ajudar?

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O que você precisa saber sobre o câncer e as diferentes formas de contribuir

No mês dedicado à saúde do homem, o Novembro Azul, separamos informações valiosas para você ajudar quem precisa. Afinal, essa é uma das grandes lições de 2020, um ano em que homens com câncer estão ainda mais vulneráveis a complicações em seu estado de saúde físico e mental.

Abaixo, além de acessar uma lista com formas de contribuir, você também vai poder se informar sobre as causas, os sintomas e os tratamentos dessas doenças, para que possa se informar para se prevenir.

Esperamos que o conhecimento compartilhado possa ajudar você e cada vez mais pessoas que estão passando por momentos difíceis.

Como posso ajudar?

Existem diversas maneiras de contribuir neste Novembro Azul. Confira abaixo como você já pode ajudar ONGs, hospitais, pacientes em tratamento e homens que precisam aprender a cuidar da saúde:

Deixe o bigode (ou a barba) crescer

Se você ainda não sabe, essa é uma forma já estabelecida de colocar a causa em evidência. Semelhante ao hábito de vestir o rosa em outubro, essa iniciativa é ainda mais eficiente, pois te acompanha independente da vestimenta! A ideia faz parte do “Movember” (uma junção entre as palavras bigode e novembro em inglês) ou No-shave November (algo como “Novembro sem barbear”). O movimento começou na Austrália em 2003 para ajudar na conscientização sobre os cânceres de próstata e testículo e foi ganhando o mundo. Na proposta adotada pela Movember Foundation, participantes devem “cultivar” um bigode, que já é símbolo da campanha do Novembro Azul. A fundação também aponta outras formas de ajudar e nos últimos anos associou  suas campanhas também à saúde mental masculina e prevenção de suicídio nessa faixa da população.

Já nas ações seguidas pela fundação oficial do No-shave November (que também oferece outras maneiras de ajudar), o importante é deixar o gilete e barbeador de lado por 30 dias e doar o dinheiro que você gastaria com produtos e cuidados relacionados para instituições de combate ao câncer. Em ambas as iniciativas o importante é mudar a aparência de uma maneira que incentive novas conversas. Assim você consegue divulgar a causa e a importância da prevenção. Também é sempre positivo associar um símbolo da masculinidade ao cuidado em saúde, já que o preconceito é o que mais afasta os homens dos exames preventivos.

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Em novembro, o seu bigode e barba podem salvar vidas. 

Compartilhe dados de prevenção

A maneira mais fácil de ajudar é divulgar. Se você não vai poder deixar o bigode ou a barba crescer, existe uma alternativa que pode ser muito eficiente: fazer um post nas suas redes sociais ou até mandar uma mensagem para os seus contatos. Nesse caso sugerimos que você vá além de um simples post com uma frase motivadora. Aproveite para divulgar instituições, iniciativas e/ou métodos de prevenção também (sempre de fontes confiáveis, hein?). Fique à vontade para compartilhar esta matéria se achar interessante, mas o mais importante é disseminar informação correta e muita solidariedade!

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Participe de uma caminhada

Semelhante às iniciativas do Outubro Rosa, uma forma histórica de chamar a atenção para a causa dos cânceres que afetam a população masculina são as caminhadas. Muitas vezes, elas são até realizadas de maneira conjunta, no fim do mês de outubro. Fique atento às campanhas da sua cidade e participe! O isolamento social não é impedimento, pois instituições estão adaptando as suas propostas para o ambiente digital. Na Corrida Solidária da Ascomcer, por exemplo, os participantes correram sozinhos, mas ao mesmo tempo, registrando o progresso por um aplicativo.

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Seja um voluntário

Com o crescimento do voluntariado online, você nem precisa sair de casa para ajudar uma instituição. O seu currículo ficará mais rico, mas o melhor é que assim você consegue utilizar aquilo que ama para melhorar a vida de quem precisa. Você pode procurar instituições locais que atendem pacientes com câncer (aqui em Juiz de Fora temos a Ascomcer e o Hospital 9 de Julho, por exemplo) e, caso ajude presencialmente, siga sempre as medidas de segurança para prevenção do COVID-19.

Outra opção é usar o seus contatos para arrecadar fundos. Em plataformas de vaquinha online (crowdfunding) como a Kickante e o Kickstarter você consegue criar uma campanha de arrecadação para a instituição de sua escolha. Existem também iniciativas específicas nesse sentido. A Movember Foundation, que já citamos neste texto, tem o Mo-ment, opção em que você se torna anfitrião de algum evento divertido online com entrada paga para arrecadar fundos, e o Move for November, em que você se compromete a correr ou caminhar por 60km durante o mês de novembro. A distância é representativa dos 60 homens que morrem por suicídio a cada hora pelo mundo.

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Faça uma doação

A doação também vai muito além da financeira. Neste Novembro Azul você pode, por exemplo, doar sangue ou plaquetas!

Outra maneira de ajudar é comprar produtos que já precise, mas de empresas que direcionam a verba para instituições de combate ao câncer. Você se lembra daquela campanha das blusas com os círculos azuis? Ela ainda existe, mas esse é apenas um exemplo famoso de muitas iniciativas para unir marcas e instituições por causas como essa. As próprias fundações apostam nessa forma de arrecadar: em 2019, o Instituto Lado a Lado (idealizador do Novembro Azul) disponibilizou camisas da campanha #azultitude para doadores de seu crowdfunding na Kickante.

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Capacite-se

Fazer um curso (online ou presencial) e/ou estudar o tema é essencial para que a prevenção e o tratamento avancem. Quem é profissional de saúde estará mais bem preparado para atender esses pacientes, mas esse não é um passo exclusivo para quem atua na área. Mesmo trabalhando em outros setores, você pode ter contato com colegas e clientes nessa situação e estará mais bem preparado para prestar auxílio.

É também importante que o profissional da área se mantenha atualizado. Recomendamos que você fique de olho nos cursos de capacitação do INCA (Instituto Nacional do Câncer), que muitas vezes são lançados com opções para leigos e profissionais. Aqui no Brasil ainda são poucos os eventos multiprofissionais dedicados à saúde do homem, por isso é importante ficar atento às iniciativas locais e talvez até ajudar na criação de congressos e simpósios como esse. Profissionais de saúde devem acompanhar os destaques do Congresso da Asco (American Society of Clinical Oncology), maior do mundo em Oncologia e que já aconteceu este ano de forma online, e o Global Forum do Instituto Lado a Lado, criador do Novembro Azul.

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Profissionais de saúde devem se capacitar para prestar auxílio a pacientes e ajudar na prevenção.

Conte a sua história

Se você está passando pelo tratamento dessa doença, é importante conhecer histórias de superação. Da mesma forma, aqueles que já venceram o câncer de próstata podem mudar a vida de outros homens relatando as suas experiências e desmistificando o cuidado em saúde. No site do Instituto LAL existe o espaço Conte sua história, onde é possível conhecer esses casos e também compartilhar a sua luta.

História e importância do Novembro Azul

Tudo começou com uma ideia inusitada: associar o bigode à luta contra o câncer de próstata. A proposta inicial dos dois amigos australianos Travis Garone e Luke Slattery era só arranjar um jeito de fazer essa moda voltar, mas ficaram inspirados por uma conhecida que arrecadava fundos para o câncer de mama e resolveram fazer o mesmo para os homens. Foi assim que em 2003 surgiu o movimento Movember e seu instituto oficial, dedicados ao combate do câncer de próstata (segundo mais incidente na população masculina e que é específico dessa faixa da população). Posteriormente o grupo também passou a divulgar e investir na prevenção dos problemas de saúde mental e suicídio em homens.

A partir daí o mês de novembro ficou marcado por homens de todo o mundo deixando o bigode e a barba crescer. Isso porque além do Movember, que é o movimento focado no “cultivo” do bigode, existe o No-shave November (Novembro sem Barbear), em que participantes ficam um mês sem fazer a barba e ainda direcionam o valor de cuidados relacionados para uma instituição do câncer.

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Travis Garone e Luke Slattery, criadores do Movember.

 

Inspirado por esses movimentos, em 2011 o Instituto Lado a Lado lançou o Novembro Azul no Brasil. Assim, estabeleceu a cor para a causa (semelhante ao caso do Outubro Rosa) e inseriu o símbolo do bigode. Já disseminada pelo país, essa campanha foi incorporada por outras organizações e empresas e atualmente essa época é dedicada à disseminação de métodos de prevenção e conscientização sobre os problemas de saúde que afetam a população masculina.

A preocupação está embasada em dados preocupantes: o Brasil registra cerca de 68 mil novos casos e 15 mil mortes causadas pelo tumor na próstata, mas o número de homens que fazem exames preventivos é muito baixo. O cuidado com a própria saúde ainda é visto como vergonhoso e incompatível com a masculinidade, resultado de uma história de preconceito e falta de informação sobre o tema. Por isso, grande parte dos esforços dessas campanhas é desmistificar esses procedimentos simples, rápidos, indolores e que podem detectar a doença em estágio inicial. Para se ter uma ideia, o tratamento para quem identifica precocemente o câncer de próstata chega a índice de cura de até 90%.

Este ano o slogan do Instituto, “Seja homem, se cuide”, apela para essa masculinidade positiva e também mostra que a luta é pela saúde do homem como um todo. Não à toa essa e outras instituições aproveitam a data para divulgar outros problemas que afetam os brasileiros do sexo masculino e que ainda são pouco debatidos, como o câncer de pênis, o de testículo e até as doenças de saúde mental.

No site do LAL é possível obter informações sobre as doenças frequentes nas diferentes fases da vida dessa população: infância, adolescência, vida adulta e terceira idade. A lista considera cânceres, doenças cardiovasculares, urológicas e autoadquiridas.

Câncer de próstata

A próstata é uma glândula que só o homem possui, localizada na parte baixa do abdômen. O câncer que afeta essa região é o mais comum entre homens no mundo depois do de pele, sendo que mais de 1,3 milhões recebem esse diagnóstico todo ano. Baixe a cartilha abaixo e confira algumas informações importantes para a prevenção da doença.

 ➝ Baixe a cartilha de 2019 do INCA com todas as informações e orientações para prevenção do câncer de prótata

Sintomas

Na fase inicial, o câncer de próstata não tem sintomas e por isso os exames preventivos se tornam ainda mais importantes. Quando alguns sinais começam a aparecer, 95% dos tumores já estão em fase avançada, dificultando a cura.

Fique atento aos seguintes sinais:

  • A sensação de que sua bexiga não se esvaziou completamente e ainda persiste a vontade de urinar.
  • Dificuldade de iniciar a passagem da urina.
  • Dificuldade de interromper o ato de urinar.
  • Urinar em gotas ou jatos sucessivos.
  • Necessidade de fazer força para manter o jato de urina.
  • Necessidade premente de urinar imediatamente.
  • Sensação de dor na parte baixa das costas ou na pélvis (abaixo dos testículos).
  • Problemas em conseguir ou manter a ereção.
  • Sangue na urina ou no esperma (esses são casos muito raros).
  • Dor durante a passagem da urina.
  • Dor quando ejacula.
  • Dor nos testículos
  • Dor lombar, na bacia ou no joelhos
  • Sangramento pela uretra.

Na fase muito avançada, o câncer de próstata pode provocar:

  • Dor óssea
  • Sintomas urinários
  • Infecção generalizada
  • Insuficiência renal

Fatores de risco

  • Hereditariedade: principalmente se houver dois ou mais parentes de primeiro grau portadores da doença e se esta for descoberta antes dos 60 anos de idade.
  • Idade: tanto a incidência como a mortalidade aumentam exponencialmente após os 50 anos. Homens acima dos 50 ou 45, se fizerem parte do grupo de risco, devem ir ao urologista anualmente.
  • Alimentação: as evidências apontam que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais e pobres em gordura, principalmente as de origem animal, não só ajuda a diminuir o risco de câncer, como também o de outras doenças crônicas não transmissíveis.
  • Hábitos negativos: o consumo excessivo de álcool e tabagismo aumenta as chances de desenvolvimento da doença.
  • Cor da pele: a incidência desse câncer é maior em homens de pele negra.
  • Peso: homens com sobrepeso ou obesos têm mais chance de contrair a doença.

Detecção precoce

Um dos exames realizados é o de toque retal, uma avaliação rápida para verificar se a próstata apresenta algum tipo de alteração. Caso alguma anormalidade seja detectada, o médico pode solicitar outros exames para confirmar o diagnóstico, como o PSA (Antígeno Prostático Específico), o ultrassom transretal e a biópsia da glândula, que consiste na retirada de fragmentos da próstata para análise.

Havendo alguma suspeita, o paciente deve se submeter à biópsia da próstata. O toque retal é considerado indispensável e não pode ser substituído pelo exame de sangue ou por qualquer outro exame, como o ultrassom. Somente com o resultado dessa análise do tecido é que poderá ser fornecido o diagnóstico.

Novembro Azul
O diagnóstico e tratamento do câncer de próstata deve ser feito considerando as características de cada caso e sempre baseado em orientação médica.

Tratamento

De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), os tratamentos mais indicados são os listados abaixo.

Para doença localizada (que só atingiu a próstata e não se espalhou para outros órgãos):

  • Cirurgia
  • Radioterapia
  • Observação vigilante (em algumas situações especiais)

Para doença localmente avançada:

  • Radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal

Para doença metastática (quando o tumor já se espalhou para outras partes do corpo):

  • Terapia hormonal.

Lembrando que a escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após médico e paciente discutirem os riscos e benefícios de cada um.

IESPE

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