O músculo e suas estruturas

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no twitter
Twitter

Em seu primeiro post para o Blog do IESPE, o professor Raphael Soares fala sobre o músculo e suas estruturas

Estudar  o músculo e suas estruturas é fundamental não somente para estudantes ou profissionais de Educação Física mas todos os estudantes da área de Saúde; a mesma dica vale para aqueles que se interessam pelo universo da musculação e fitness.

Nesse post vamos entender os motivos pelos quais devemos estudar esta área tão importante do nosso corpo, entender o funcionamento do Sistema Muscular, o que são e para que servem as Fibras Musculares, os tipos e as funções dos músculos, seus componentes, a classificação funcional dessas estruturas, a fáscia, o esquema de irrigação, além de apresentarmos noções de fisiologia. Então, se prepare porque nós temos muitos conteúdos para  detalhar neste meu primeiro post aqui no Blog do IESPE. O meu nome é Raphael Soares e nesta publicação eu falo sobre o músculo e suas estruturas.

Aproveite para também baixar o e-book gratuito sobre músculos e adaptações ao treinamento que eu fiz para você poder estudar o tema de forma simples.

E-book Músculo - Raphael Soares

Por que estudar o músculo e suas estruturas?

Não adianta querer falar sobre os conteúdos mais complexos se a gente não souber a parte fundamental dos sistemas do corpo humano e suas funções. Então, como pontapé inicial, o assunto desse post será “o músculo e suas estruturas”, porque, afinal de contas é no músculo que observamos as modificações anatômicas (mudança na estética corporal) e eles são a parte fundamental para entender a adaptações que o exercício de musculação provoca. Mas, antes de continuar, é importante lembrar que, se você tiver alguma dúvida ou sugestão de post,  é só comentar no final da publicação que vou ter maior prazer em te ajudar ou receber sua solicitação, combinado?

Sistema Muscular

Formado por cerca de 600 músculos, o sistema muscular é o único sistema do corpo humano que tem a capacidade de transformar energia química em energia mecânica. Esse é um processo fascinante que vamos aprender e desvendar ao longo das postagens em nosso blog. Juntos, nossos músculos podem somar de 40 a 50% de nosso peso. Essas estruturas são capazes de se contrair e de se relaxar, gerando movimentos que nos permitem andar, correr, saltar, nadar, escrever, impulsionar o alimento ao longo do tubo digestório, promover a circulação do sangue no organismo, urinar, defecar, piscar os olhos, rir, respirar…

A nossa capacidade de locomoção depende da ação conjunta de ossos, articulações e músculo, sob a “supervisão” e controle do sistema nervoso.

Mas o que é músculo?

Então, de uma forma bem elementar, os músculos são as estruturas básicas do Sistema Muscular. Como uma de suas principais propriedades, temos a contração, ou o encurtamento e alongamento das fibras musculares, e é justamente essa característica que torna possíveis os movimentos.

Os músculostambém são responsáveis, entre outras coisas, por estabilizar as posições do nosso corpo e produzir calor, por exemplo. Esses órgãos são formados por um conjunto de células especializadas que são chamadas de Fibras Musculares (Você verá uma descrição detalhada das Fibras Musculares no final deste post).

Funções dos Músculos

Produção dos movimentos corporais: movimentos globais do corpo, como andar e correr.

Estabilização das posições corporais:  a contração dos músculos esqueléticos estabiliza as articulações e participam da manutenção das posições corporais, como a de ficar em pé ou sentar.

Regulação do volume dos órgãos: a contração sustentada das faixas anelares dos músculos lisos (esfíncteres) pode impedir a saída do conteúdo de um órgão oco.

Movimento de substâncias dentro do corpo: as contrações dos músculos lisos das paredes vasos sanguíneos regulam a intensidade do fluxo. Esse tipo de músculo também pode mover alimentos, urina e gametas do sistema reprodutivo. Os músculos esqueléticos promovem o fluxo de linfa e o retorno do sangue para o coração.

Produção de calor: Quando o tecido muscular se contrai ele produz calor e grande parte desse calor liberado pelo músculo é usado na manutenção da temperatura corporal.

Tipos de Músculos

Pode parecer que não, mas os músculos são divididos em três grupos: liso, estriado cardíaco e estriado esquelético. A diferença entre eles exige um estudo em microscópio, mas não é difícil compreender pela classificação. Os músculos lisos não possuem estrias (sim, é como aquelas estrias da pele), e não conseguimos controlá-lo, ou seja, todo seu controle é feito de forma involuntária. Em sua maioria,

constituem as paredes dos órgãos musculares como por exemplo o esôfago, estômago e outros órgãos que formam nosso sistema digestivo. Os outros dois tipos de músculos, tanto o cardíaco quanto o esquelético são estriados. O que isso quer dizer? Bom, de forma simplificada, isso significa que a aparência deles lembram estrias. Essas estrias nada mais são que o limite de uma estrutura chamada sarcômero. Dentro da mesma fibra muscular possuímos vários sarcômeros. Para tomar nota: o sarcômero é a unidade contrátil da musculatura, ou seja, eles são responsáveis pelo encolhimento (contração) dos músculos.

Pois bem, como eu estava falando, tanto o músculocardíaco quanto o esquelético são estriados, porém há algumas diferenças entre eles, por exemplo, quanto ao controle da contração da musculatura. No músculo cardíaco o controle é involuntário. Nós não precisamos pensar no batimento cardíaco para que ele trabalhe. Ainda bem, né? Imagina o desastre que seria se a cada batimento nós tivéssemos que dizer ao coração para contrair? Isso não seria uma boa ideia. Se compararmos os dois tipos de fibras estriadas, veremos que possuem formas diferentes. O músculo estriado esquelético já tem controle voluntário, ou seja, cada movimento que estou fazendo, como por exemplo ao digitar esse texto, é pensado, organizado e depois enviado para que os músculos responsáveis executem os momentos de pressionar cada tecla.

Bem, falei de uma maneira geral do Sistema Muscular e, a partir de agora, vamos focar exatamente neste último músculo e suas estruturas: o músculo estriado esquelético.

Lembre-se de depois baixar a primeira parte do meu e-book gratuito sobre músculos e adaptações ao treinamento para se aprofundar nos tipos de músculo.

Componentes do Músculo

Os músculossão constituídos de duas partes: o ventre muscular e os tendões. O ventre muscular é a parte carnosa da musculatura e, é responsável pela contração muscular, que, como já vimos, é o que produz os movimentos e movem os pesos que carregamos. Sendo assim, podemos afirmar que este é o agente ativo do movimento humano.

Já os tendões são formados por tecido conjuntivo rico em fibras colágenas. Para lembrar: o tecido conjuntivo (alguns autores chamam, inclusive de tecido conectivo, justamente por sua função) é caracterizado por apresentar células distanciadas entre si, em maior ou menor grau, responsáveis por unir, ligar, nutrir, proteger e sustentar os outros tecidos.

Muito importante: os tendões não possuem unidade de contração muscular, sendo assim, são elementos passivos do movimento, pois transmitem a tensão gerada no músculodurante a contração muscular para as estruturas onde estão fixados, como o joelho, por exemplo. Quando esse músculo cruza uma articulação, e a contração é forte o bastante para movimentar as alavancas corporais formadas pelos ossos e suas articulações, presenciamos o movimento, como aquele de “fazer o muque”, que, tecnicamente, é a flexão do cotovelo quando o bíceps braquial entra em ação.

E-book Músculo - Raphael Soares

Classificação funcional dos músculos

Agonista: são os músculos principais que ativam um movimento específico do corpo, eles se contraem ativamente para produzir um movimento desejado, normalmente apresenta uma contração concêntrica. Ex: realizar uma flexão de cotovelo, o agonista é o bíceps braquial.

Antagonista: é aquele que se opõe à ação do agonista, regulando a potência, a força e a rapidez do movimento pretendido, e normalmente, apresenta uma contração excêntrica. Quando o agonista se contrai, o antagonista relaxa progressivamente produzindo um movimento suave. Ex: no exemplo anterior, o antagonista é o tríceps braquial.

Sinergista: é o músculoque indiretamente ajuda em um movimento, atua eliminando ou minimizando movimentos indesejáveis, ajudando assim a tornar os movimentos precisos e objetivos. Ex: no mesmo exemplo, os flexores e extensores do punho contraem-se mantendo estáveis as articulações do punho e cotovelo.

Fixadores: estabilizam a origem do agonista de modo que ele possa agir mais eficientemente. Estabilizam a parte proximal do membro quando se move a parte distal.

Envoltórios do músculo esquelético – fáscias musculares

Cada fibra muscular isolada, cada fascículo e cada músculono seu conjunto, estão revestidos por tecido conjuntivo (fáscia muscular – esqueleto conectival).

o musculo e suas estruturas
Esquema ilustra as fáscias musculares

A fáscia é formada pelo tecido conjuntivo e o próprio músculo inteiro está envolvido por uma capa de tecido conjuntivo, chamado Epimísio. Algumas projeções de colágeno penetram desde o Epimísio até ao interior do músculo, formando uma membrana que rodeia todos e cada um dos fascículos, essa membrana é o Perimísio. Por sua vez, existe um retículo extremamente delicado que reveste cada fibra muscular, o Endomísio. Esses envoltórios servem para reunir as unidades contráteis, os grupos de unidades, para integrar a sua ação e permitir, ainda, um certo grau de liberdade de movimentos entre elas. Deste modo, ainda que as fibras se encontrem extremamente compactadas, cada uma é relativamente independente das restantes e cada fascículo pode movimentar-se independentemente dos vizinhos.

As fáscias são consideradas elementos passivos da contração muscular transmitindo a tensão gerada pela atividade muscular. Têm como principal função fricção (entre músculos, fascículos e fibras musculares) permitindo, assim, que os músculos deslizem uns sobre os outros, e como essas as membranas envolvem e isolam um do outro, dificulta, por exemplo, a proliferação infecções.

Irrigação muscular

A cor avermelhada da musculatura é resultado da grande concentração de sangue dentro das fibras musculares que estão ali para nutrir e para retirar todos os substratos energéticos durante o exercício.

“O músculo transforma energia química em energia mecânica.”

Os vasos sanguíneos que irrigam o músculo esquelético, correm pelas membranas de tecido conjuntivo e se ramificam para formar uma abundante rede capilar em torno de cada uma das fibras musculares. Os capilares são suficientemente tortuosos para se adaptarem às alterações de comprimento das fibras, estirando-se durante o alongamento muscular e tornando-se tortuosos durante a contração.

Fibras Musculares

Como adiantamos mais acima, aqui eu vou falar um pouco mais sobre as fibras que formam os músculos. O diâmetro dessas fibras pode variar entre 10 e 100μm (ou até mais). Durante a nossa fase de crescimento, podemos perceber um aumento gradual do diâmetro nas fibras musculares. No entanto, esse aumento pode ainda ser estimulado por solicitação muscular intensa, fenômeno designado por hipertrofia de uso. O contrário também pode acontecer, as fibras podem diminuir e se tornarem músculos imobilizados, o que, cientificamente, a gente chama de atrofia por desuso. A maior parte do interior da fibra muscular está ocupada por miofibrilas de 1 a 2μm de diâmetro. Cada fibra pode conter, desde várias centenas, até muitos milhares de miofibrilas. Por sua vez, cada miofibrila apresenta cerca de 1500 filamentos de miosina e 3000 de actina, dispostos lado a lado. Em cortes longitudinais pode ser observada a estriação transversal tão característica das miofibrilas. Esta estriação é devida à presença dos sarcômeros que contém os filamentos de actina e de miosina, que são as duas principais proteínas responsáveis pela contração do músculo.

Fisiologia muscular

O músculo esquelético constitui, aproximadamente, 45% do peso corporal e é o maior sistema orgânico do ser humano, sendo um importante tecido na homeostasia bioenergética (em outras palavras, na preservação das funções vitais do organismo), tanto em repouso como em exercício. Representa o principal local de transformação e de armazenamento de energia, sendo o destino final dos sistemas de suporte primários envolvidos no exercício, como o cardiovascular e o pulmonar.

Bem, pessoal, acredito que hoje iniciamos com o pé direito, falando sobre o músculo e suas estruturas. Sei que a carga de conhecimento foi grande e alguns conceitos podem ficar confusos. Mas não se preocupe, vamos desenvolver mais detalhadamente alguns pontos ao longo dos nossos posts no Blog do IESPE.

Gostou do conteúdo? Tem alguma sugestão, elogio? Comente aqui embaixo para construirmos juntos uma rede de conhecimento e discussão. E lembre-se de baixar a primeira parte do meu e-book gratuito sobre músculos e adaptações ao treinamento para continuar os estudos!

Bibliografia:

Berne R. M., Levy M. N. Physiology. 4th edition. Mosby, Inc., St. Louis, Missouri, 1998
Brooks G. A., Fahey T. D., White T. P. e Baldwin K. M. Exercise Physiology: Human Bioenergetics and its applications. 3rd edition. Macmillan Publishing Company. New York, 2000
Ganong W. F. Review of Medical Physiology. 19th edition. Appleton and Lange, East Norwalk, Connecticut, 1999
Guyton A. C. Tratado de Fisiologia Médica. 10a edição. Interamericana. Rio de Janeiro, 2001
Wilmore J.H. e Costill D. L. Physiology of Sport and Exercise 2nd edition. Human Kinetics. Champaign, Ilinois, 1999
BLOOM, M. & FAWCETT, D. W. Tratado de histologia. 10. ed. Rio de Janeiro, Interamericana, 1977. 940 p.
DARNELL, J.; LODISH, H. & BALTIMORE, D. Molecular cell biology. 2. ed. New York, Scientific American Books, 1990. p.
JUDGE, M.D.; ABERLE, E.D.; FORREST, J.C; HEDRICK, H.B. & MERKEL, R.A. Principles of meat science. 2.ed. Dubuque, Kendall/ Hunt Publishing Company, 1989. 351 p.
PARDI, M.C.; SANTOS, I.F.; SOUZA, E.R. & PARDI, H.S. Ciência, higiene e tecnologia da carne. v.1. Goiânia, Editora da UFG, 1993. 586 p.
RAWN, J. D. Biochemistry. Burlington, Neil Patterson Publishers, 1989. 1105 p.

Compartilhe!
Raphael Soares

Raphael Soares

Graduação em Educação Física (UFJF). Pós-Graduado em Fisiologia do Exercício e Grupos Especiais pelo Centro Universitário Estácio de Sá. Mestrado em Master of Science (MSc) in Human Movement and Sports Sciences, Universidade de Lausanne (Suíça).

3 comentários em “O músculo e suas estruturas”

Os comentários estão encerrado.

Posts relacionados

Turma Indisponível We will inform you when the product arrives in stock. Please leave your valid email address below.

Aproveite para pegar este material exclusivo!

Baixe o e-book gratuito sobre músculos e suas adaptações ao treinamento

Matrícula

Planos de Pagamento