O que faz o enfermeiro na ESF – Estratégia Saúde da Família?

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Conheça a importância da Enfermagem na atenção primária à saúde no texto da enfermeira Wilma Lucia Pereira sobre ESF –  Estratégia Saúde da Família

 

A Enfermagem é uma formação que permite uma grande variedade de especializações que se enquadram nos muitos perfis de profissionais da área. Aqui no Blog do IESPE já pudemos conhecer, por exemplo, o depoimento de minhas colegas apaixonadas por Hemodinâmica, APH (Atendimento Pré-Hospitalar) e Obstetrícia. No meu caso, fico feliz de compartilhar neste texto os conhecimentos sobre a ESF (Estratégia Saúde da Família), que teve um papel muito importante na minha vida profissional e pessoal.

 

Costumo dizer que a Enfermagem me escolheu, uma vez que bem cedo estou nessa profissão. Fiz meu Ensino Médio juntamente com o Curso Técnico em Enfermagem e, logo após, realizei a graduação na área. O único vestibular da minha vida!

 

pequena-saude-da-familia-site-3E, além de ser apaixonada pela profissão como um todo, tive a alegria de trabalhar na Atenção Primária à Saúde (APS) com foco na Estratégia Saúde da Família (ESF), atuação que é muito importante para prevenir problemas e promover uma saúde completa em uma população. Para que você possa compreender como funciona esse trabalho, vamos começar definindo o que é a Atenção Primária à Saúde (APS).

 

O nome já entrega a característica principal desse atendimento, que é ser o nível primário de assistência, mas só isso não é informação suficiente. Nesse caso, a unidade de saúde é próxima dos domicílios, das igrejas, do comércio onde o cliente mora trabalha e vive. Perceba que usei o termo “cliente”, já que aquele que vai receber esse atendimento não está necessariamente doente e sim vai receber um atendimento preventivo e/ou de auxílio para uma vida mais saudável. Por isso, um dos principais objetivos da APS é criar vínculo com a clientela e, assim, conseguir fazer um diagnóstico situacional, individual, familiar, e, a partir daí, elaborar e executar um plano de cuidados a ser desenvolvimento por uma equipe multidisciplinar.

 

Dentro desse atendimento primário, existe um princípio inicialmente designado Programa de Saúde da Família (PSF). O nome se referia ao fato de que  uma proposta nova nesse trabalho tem sempre um programa a ser cumprido e teve início por volta de 1994 com a intenção de implementar a atenção básica. O PSF é tido como uma das principais estratégias de reorganização dos serviços e de reorientação das práticas profissionais nesse nível de assistência, assim como na promoção da saúde, prevenção de doenças e reabilitação.

 

Atualmente, o PSF é definido como Estratégia Saúde da Família (ESF), ao invés de “programa”, já que o termo aponta para uma atividade com início, desenvolvimento e finalização. Como é uma estratégia de reorganização da atenção primária, não prevê um tempo para finalizar essa reestruturação.

 

 

Como é a atuação do enfermeiro na ESF?

 

A intenção é trabalhar a prevenção. Sendo assim, deve ser feito um trabalho de parceria, com a utilização de uma equipe multiprofissional. Além disso, esse trabalho conjunto deve ser estabelecido com o indivíduo, família, comunidade e igreja  em que esse indivíduo se insere.

 

Dentro desse contexto, a Enfermagem e o PSF têm íntima ligação, já que o profissional da área desenvolve um papel de fundamental importância na modalidade de assistência à saúde. Isso porque os enfermeiros são os responsáveis por trabalhar com a vinculação e proximidade com a clientela, além de escuta atentados problemas e anseios dessa população. É ele, portanto,  um dos elos da comunidade com o serviço de saúde.

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Para  que essa conexão seja feita promovendo a saúde do indivíduo o profissional de Enfermagem deve fazer um diagnóstico situacional, classificando potencialidades e dificuldades. Essa ação corresponde a um dos  objetivos primordiais da ESF: a “longitudinalidade”, que se traduz em acompanhar o indivíduo e seus núcleos de convívio de forma integral e humanitária, com uso racional dos recursos assistenciais.

 

 

Atendemos a todos os ciclos de vida com as propostas preventiva e curativa, incluindo todas as raças, etnias e crenças, além de não fazermos distinção das orientações sexuais. As atividades são realizadas na unidade de saúde, em igrejas, ONGs e escolas,com atendimentos  individuais e coletivos.

 

Para guiar esse trabalho e manter um padrão de qualidade por todo o país, o enfermeiro tem à disposição  protocolos, guias e manuais a nível ministerial e estadual, onde são citadas as funções de todas as categorias da equipe de ESF (Estratégia Saúde da Família). Em Juiz de Fora, participei da formulação do protocolo das ações dos enfermeiros nos serviços de atenção primária da Subsecretaria de Atenção Primária à Saúde da Prefeitura. Como foi apontado nesse documento, existem três categorias de atendimento importantes, que são principais no contexto de atendimento:

 

 

1- Saúde da Criança (0 a 10 anos)

 

De acordo com o Ministério da Saúde, a assistência à criança deve ser feita de maneira global, focando no crescimento e desenvolvimento e identificando fatores de risco biológicos e familiares. Isso é alcançado através de ações que promovem a saúde ou previnem doenças e que são feitas em consultas de acompanhamento nas Unidades de Saúde e nas visitas domiciliares.

 

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O início de atendimento pode começar pela visita do Agente Comunitário de Saúde ou através da iniciativa da própria família nas UAPS (Unidades de Atenção Primária à Saúde). A partir desse momento, cabe ao enfermeiro elaborar um plano de intervenção que considere a condição específica do paciente (biológica, social, econômica etc.) e as prioridades no atendimento, assim como quais crianças devem ser encaminhadas para outro profissional. É recomendado que essa oportunidade seja aproveitada para verificar a situação de saúde da mãe.

 

Como a assistência é feita desde o pré-natal, as atividades programadas vão de atendimentos individuais e coletivos a ações educativas e de promoção de saúde com as famílias. Uma das prioridades nesse sentido é garantir o acesso ao serviço de saúde.

 

Todas as crianças na área das UAPS devem ser cadastradas e incluídas no programa.  Nesse sentido, é preciso destacar a importância da Caderneta da Criança, que é usada no acompanhamento e funciona também como um documento de identidade do paciente. Além disso, a Agenda de Compromissos para a Saúde da Criança, elaborada pelo Ministério da Saúde, é central para o desenvolvimento de atividades e políticas para esse público.

 

 

2- Saúde sexual e reprodutiva de mulheres e homens

 

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O enfermeiro que atuar nessa categoria dará assistência a mulher, homens e/ou casais,fazendo um atendimento clínico, individual e em grupo educativo que inclui a prevenção, diagnóstico, tratamento e recuperação do paciente. O objetivo é discutir questões como reprodução e sexualidade, informando sobre os direitos desses indivíduos, respondendo dúvidas e encaminhando para o tratamento necessário, de forma a participar do progresso de cada pessoa através das intervenções feitas.

 

 

As atividades incluem o acompanhamento da gravidez no pré-natal, parto e puerpério (período entre o parto e o restabelecimento total do estado biológico anterior à gravidez) e orientação sobre os métodos conceptivos e anticonceptivos. Além de auxiliar na prevenção das DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) como a AIDS, também há acompanhamento desses profissionais no caso de demais doenças como o câncer (de mama, útero ou próstata, por exemplo). O perfil populacional e as necessidades de cada local e família devem ser considerados ao longo das visitas para adequar cada vez mais os tratamentos e medidas de forma a promover saúde.

 

 

3- Doenças crônicas não transmissíveis – hipertensão, diabetes e obesidade

 

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As três doenças possuem um amplo alcance no Brasil, o que torna necessária a prevenção e tratamento nesses casos. O enfermeiro será responsável por fazer intervenções, acompanhamentos e organizar grupos para promover um estilo de vida mais saudável, orientando no sentido de uma alimentação correta (especialmente reduzindo o uso do sal e do açúcar), da prática de exercícios físicos e redução do peso corporal.

 

 

Também serão feitas ações buscando a diminuição do uso de cigarros e do consumo de álcool. Assim como nos casos anteriores, deve ser considerado o contexto em que a pessoa está inserida, como os aspectos sociais, econômicos e culturais que irão fazer com que cada atendimento seja pensado com atividades mais específicas e eficientes.

 

Esse atendimento contínuo e dinâmico faz com que as consultas, grupos e ações criem um vínculo na comunidade com o sistema de saúde e dá ao enfermeiro uma visão mais completa e com resultados também mais complexos ao atender as diferentes condições de saúde. O profissional poderá, com mais facilidade, levantar fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão, diabetes ou obesidade que não seriam considerados em um atendimento clínico e/ou hospitalar comum, podendo assim desenvolver medidas que tornem a pessoa saudável de forma duradoura e completa.

 

 

Grupos educativos e a especialização em ESF

 

Para atender da melhor forma a esses diferentes públicos, criar e dar assistência a grupos educativos é uma das funções, não só do enfermeiro, mas de todos os membros da equipe. Essas iniciativas são formadas com objetivos preventivos e curativos em variadas áreas necessárias na saúde do paciente.

 

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Podemos citar principalmente: grupos de hipertenso e diabético,  na saúde da mulher (gestante, climatério e pré-natal), da criança,  de apoio psicossocial,  para cessação do tabagismo,  de planejamento familiar, além de atividades voltadas para adolescentes, grupos em igrejas, escolas, dentre outras.  Cada grupo desses tem um passo a passo recomendado nos documentos citados e fazemos adaptações de acordo com o espaço físico e nossa realidade local.

 

 

Mas, na minha vivência profissional, pude concluir que o grupo mais procurado é o  de planejamento familiar,que chamamos de“Grupo de direitos e deveres sexuais e reprodutivos”. Vários clientes, tanto homens quanto mulheres, podem, a partir das orientações que recebem no grupo, planejar melhor sua vida sexual, financeira e familiar.

 

Nesses quase 14 anos de atuação e militância em Atenção Primária à Saúde (APS) com foco na Saúde da Família, já vivenciei várias situações impactantes e emocionais, que puderem me mostrar a importância desse trabalho. Uma situação marcante que envolveu o grupo citado acima foi realizar uma conferência familiar com um enfermeiro, um médico e duas meninas (13 e 15 anos) com a mãe, ajudando as jovens a dar notícia para ela sobre vida sexual ativa e o desejo de iniciar o uso de método contraceptivo. Assim, organizamos a vida reprodutiva das jovens na tentativa de evitar a gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis.

 

Outra situação que me trouxe muita alegria foi conseguir encaminhar uma cliente de 32 anos na décima gestação para uma laqueadura tubária (obstrução das trompas uterinas para impedir a gravidez) e poder ver toda a mudança para melhor na dinâmica daquela família por meio dessa tomada de decisão.

 

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Embora existam iniciativas no Brasil que nos permitem atuar com eficiência na área, proporcionando essas mudanças na saúde de uma comunidade, o país ainda necessita de mais enfermeiros no contexto de atendimento primário. Em Juiz de Fora, por exemplo, o vínculo na ESF (Estratégia Saúde da Família) é estável e as equipes das unidades de saúde estão quase todas completas, mas há carência de profissionais especialistas  na região. Por isso, montamos uma Pós-Graduação de Enfermagem em Saúde da Família, que visa qualificar enfermeiros para atuarem de forma responsável e eficiente na prática de assistência primária.

 

Como a ESF (Estratégia Saúde da Família) é uma atividade muito complexa, uma vez que não trabalha com tecnologia e, sim, com relações humanas, justifica a necessidade de formação de profissionais enfermeiros com um perfil que se adeque a essas necessidades.

 

É preciso lembrar sempre que em qualquer atendimento, seja em grupos ou individual, deve ser considerado também o aspecto psicológico e emocional dos envolvidos, uma vez que um dos pressupostos do SUS é atender a pessoa como um todo, ou seja, com um olhar integral.

 

Com a saúde do paciente em foco e com a intenção de promover a qualidade de vida das pessoas, o enfermeiro que segue essa atuação tem a alegria de ver a evolução não só de famílias, mas também de toda uma comunidade. E como uma profissional que pôde presenciar essa mudança diversas vezes e ama o que faz, espero que este texto tenha mostrado um pouco do quão apaixonante e importante é esse trabalho.

 

Não se esqueça de compartilhar as suas experiências e opiniões nos comentários abaixo e nos vemos em uma próxima oportunidade.

 

Abraço,

 

 

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Wilma Braga de Rezende

Wilma Braga de Rezende

5 comentários em “O que faz o enfermeiro na ESF – Estratégia Saúde da Família?”

  1. Que orgulho ver a descrição do nosso trabalho com tanta sabedoria e clareza, é preciso conhecer para valorizar nossa categoria e atuação. Você é um sucesso, minha amiga, exemplo pra muitos dr nós, e seguimos firmes, orgulhosas de ser enfermeiras da ESF, orgulhosas em ser APS.

  2. Parabéns Wilma, amei o texto, ficou muito bom conteúdo excelente, você é 10000, parabéns. Excelente profissional.

Os comentários estão encerrado.

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