Outubro Rosa: prevenção e tratamento do câncer de mama e de colo do útero

No mês dedicado à saúde da mulher, o IESPE separou informações valiosas sobre o câncer de mama e do colo do útero para que o cuidado comece desde já. Confira cartilhas oficiais do Ministério da Saúde e uma entrevista exclusiva com a enfermeira da Atenção Primária à Saúde com foco em Saúde da Mulher, Wilma Braga.

História e importância do Outubro Rosa

O Outubro Rosa começou nos EUA e se espalhou por todo o mundo. O país possuía ações de prevenção e conscientização do câncer de mama em outubro e a proposta tomou tamanha proporção que na década de 1990 o Congresso Americano instituiu o mês como período oficial de combate à doença. Já o famoso laço rosa utilizado em todo o mundo foi lançado pela Fundação Susan G. Komen, do mesmo país.

outubro rosa
Participantes da Corrida da Cura nos EUA.

A instituição distribuiu o símbolo pela primeira vez na estréia da Corrida da Cura em Nova York, que segue sendo realizada anualmente em prol da saúde da mulher. Atualmente o mês também abrange o trabalho de prevenção a outro mal que atinge muitas mulheres: o câncer de colo de útero.

Os exames de ambas as doenças podem ser feitos por profissionais da Enfermagem e Medicina que trabalham com saúde da mulher, como generalistas, obstetras, clínicos e gineco-obstetras.

De acordo com o Ministério da Saúde e Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), em 2016 as mamografias no Brasil cresceram 37% em comparação com os primeiros semestres de 2010. Mas ainda é preciso muito trabalho e conscientização para combater a doença: um levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia registrou que somente 24,1% das mulheres brasileiras que deveriam realizar o exame se submeteram a ele no ano passado. Para se ter uma ideia, o número de mamografias realizadas no SUS em 2017 é o menor dos últimos cinco anos.

Câncer de mama

É o tipo de câncer mais comum entre mulheres no mundo, depois do câncer de pele (não melanoma) e também acomete homens, apesar desses serem casos mais raros. A doença é mais frequente em mulheres acima dos 35 anos e as chances aumentam especialmente após os 50 anos. É preciso compreender que existem vários tipos de câncer de mama e, por isso, a análise profissional regular é indispensável, mesmo quando a paciente não encontra nódulos ao realizar o autoexame.

De acordo com o Ministério da Saúde, são esperados mais de 59 mil novos casos de câncer de mama somente no Brasil, com perspectivas também preocupantes pelo restante do mundo.

Sintomas:

Outubro Rosa - Sintomas do câncer de mama

De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas da doença são os seguintes:

  • Nódulo, geralmente indolor, duro e irregular (mais comum).
  • Tumores de consistência branda, globosos e bem definidos.
  • Edema cutâneo (na pele) semelhante à casca de laranja.
  • Retração cutânea.
  • Dor.
  • Inversão do mamilo.
  • Hiperemia.
  • Descamação ou ulceração do mamilo.
  • Secreção papilar (especialmente quando é unilateral e espontânea): geralmente é transparente, podendo ser rosada ou avermelhada devido à presença de glóbulos vermelhos.
  • Linfonodos palpáveis na axila.

Fatores de risco e prevenção 

Os principais fatores de risco relacionados ao desenvolvimento do câncer de mama são: falta de atividade física, tabagismo, má alimentação, peso corporal acima do indicado, hábitos sexuais inadequados, fatores ocupacionais, bebidas alcoólicas, exposição solar, radiações e medicamentos.

De acordo com a a enfermeira da Atenção Primária à Saúde com foco em Saúde da Mulher, Wilma Braga, “Nas mamas o que interfere mais são fatores como o sobrepeso, obesidade, sedentarismo, álcool, não ter filhos, não ter amamentado ou ter filhos mais tarde".

Estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física seja possível reduzir em até 28% o risco de desenvolver câncer de mama. Porém, estudos também falam que não se previne realmente o câncer de mama e sim se faz detecção precoce, atividade muito recomendada pelos profissionais de saúde no combate à doença.

 Baixe a cartilha do INCA com todas as informações e orientações para prevenção do câncer de mama

Detecção precoce: inspeção

O autoexame é uma das formas da paciente acompanhar a saúde do corpo, mas não substitui de forma alguma os exames e acompanhamentos regulares de um profissional de Enfermagem e Medicina. Essa inspeção deve começar nas pacientes de 40 anos para frente e acontece da seguinte forma (de acordo com a enfermeira Wilma Braga):

Outubro Rosa
Enfermeira da Saúde da Mulher, Wilma Braga, destacou a importância da detecção precoce feita por um profissional.

1- Inspeção estática: “O ideal é que se faça a inspeção estática das mamas, que é olhar a paciente de frente numa posição em que as mamas fiquem expostas e possamos olhar a assimetria das mamas, o tamanho e o formato do bico do peito".

2- Inspeção dinâmica: “Pedimos que a paciente fique na mesma posição e que faça movimentos com os braços para baixo, para cima, para fora e para dentro. Nesse momento vamos ver se aparece algum abaulamento e retratação ou diferença de simetria entre as mamas".

3- Inspeção final: “Num outro momento, vamos deitar a cliente, pedir que ela coloque as mãos embaixo da cabeça e fazer a palpação de axila, rede linfática correspondente e as mamas em si. Se a paciente relatar que tem alguma secreção, podemos fazer a expressão do mamilo e até coletar o material, mas isso não é rotineiro.

Detecção precoce: mamografia e ultrassom 

Um grande exemplo de exame de detecção precoce é a mamografia realizada em mulheres sem sinais e sintomas da doença, numa faixa etária em que haja um balanço favorável entre benefícios e riscos dessa prática (mamografia de rastreamento).
“Vamos solicitar a mamografia para as mulheres de 50 a 69 anos. Antes e depois dessa idade o exame será feito em pacientes que apresentarem algum sintoma ou que tiverem algum histórico familiar da doença", detalhou Wilma. 
A mamografia de rastreamento possibilita encontrar o câncer no início e ter um tratamento menos agressivo, mas nem sempre é a primeira opção de exame. “Antes dos 35 anos, o exame de imagem mais adequado é o ultrassom mamário. Só dos 35 anos em diante que a mamografia é um exame bom para rastreamento da mama", completou a enfermeira.

Tratamento

Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento do câncer é feito através de etapas como cirurgias (mastectomias, conservadoras, e reconstrução mamária), radioterapia, quimioterapia, hormonoterapia e tratamentos paliativos, que serão requisitadas conforme determinado pelo médico oncologista responsável. Esse profissional irá considerar, para cada caso, os procedimentos necessários considerando a localização do tumor, o tipo e também sua dimensão.

Outubro Rosa - Tratamento
O tratamento do câncer de mama deve ser feito considerando as características de cada caso e sempre baseado em orientação médica.

A grande vantagem, e que deve ser aproveitada pela população, é que todas as modalidades de tratamento são disponibilizadas de forma gratuita pelo Serviço Único de Saúde. “O serviço público tem vagas para fazer esse tipo de atendimento durante o ano todo e especialmente no outubro rosa, quando os serviços abrem de noite e no final de semana. Então as pessoas devem procurar o serviço e agendar", reforçou a enfermeira Wilma, que é uma importante defensora da saúde da mulher em Juiz de Fora.

Além disso, a lei nº 12.732, de 2012, estabelece que o paciente com neoplasia maligna tem direito ao primeiro tratamento no SUS, no prazo de até 60 dias a partir do diagnóstico ou até antes, se necessário.

Câncer de colo de útero

É um tumor maligno que acontece na parte inferior do útero pela infecção persistente de alguns tipos do Papilomavírus Humano –  HPV.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a doença, também chamada de câncer cervical, é o terceiro tumor mais frequente na população feminina (atrás somente do câncer de mama e do colorretal) e a quarta causa de morte em mulheres por câncer no Brasil.

Mas a conscientização e acesso ao tratamento têm melhorado o cenário nacional: na década de 1990, 70% dos casos eram diagnosticados em sua forma mais avançada. Já nos dias atuais, 44% são identificados na lesão precursora.

O câncer de colo do útero é o terceiro mais comum na população feminina.

Fatores de risco e prevenção:

De acordo com a enfermeira da Atenção Primária à Saúde com foco em Saúde da Mulher, Wilma Braga, antes de 25 anos e após 64 anos serão avaliadas as queixas, o histórico ou algum tratamento que a paciente já tenha feito, além de fatores como o início da vida sexual, a exposição a múltiplos parceiros e o uso de cigarro. 

Diferentemente do câncer de mama, no câncer de colo do útero é possível fazer uma prevenção, ou seja, identificar e tratar uma lesão antes que ela esteja no estágio já pré-maligno ou maligno.

Detecção precoce: 

A detecção precoce para o câncer de colo de útero segue um protocolo internacional, assim como é o caso no câncer de mama. As alterações celulares típicas da doença são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como Papanicolaou) e são curáveis na quase totalidade dos casos. Diante dessa realidade, a importância da realização periódica do exame se torna ainda mais evidente.

A idade preconizada para o colo do útero é 25 a 64 anos. São feitos dois exames com espaço de um ano e, se eles estiverem bons, pode dar um prazo de 3 anos para o terceiro exame. Dependendo da alteração, tratamos e seguimos o rastreamento, que aí depende do resultado", explicou a enfermeira Wilma. 

Tratamento:

O tratamento para o câncer de colo de útero deve ser definido a partir da avaliação e orientação do médico em cada caso. Segundo o INCA, os tratamentos mais comuns para essa doença são a cirurgia e a radioterapia. Mas o Instituto reforça que a escolha dependerá do “estado da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade e desejo de ter filhos".

ATENÇÃO: As informações deste BLOG pretendem informar e conscientizar sobre o câncer de mama e o câncer de colo de útero, mas não substituem a consulta médica. Em casos de suspeita, procure um médico.

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