Supervisora Aline Gouvêa Leite defende tese de Doutorado na USP sobre tecnologia sustentável

Arquiteta analisou desempenho do coletor solar, nova proposta para iluminação natural

No final do último mês (outubro), a nossa supervisora de ensino, Aline Gouvêa Leite, provou que de fato o conhecimento nunca para! A professora concluiu sua pesquisa de Doutorado no dia 25 (quinta feira), tornando-se, assim, Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), São Carlos.

A tese de Aline tem como tema o ‘Estudo sobre a viabilidade e o desempenho de um coletor solar com transmissão de luz em fibra óptica para a iluminação natural em ambientes’. A escolha não é surpresa já que, além de entusiasta da fibra ótica nos projetos de arquitetura, a profissional é coordenadora do curso de pós-graduação em Sustentabilidade e Tecnologias na Arquitetura, Design e Paisagismo. Ela nos contou tudo sobre essa experiência e como foi gratificante conquistar mais uma vitória!

Doutorado Aline Gouvêa
Aline Gouvêa na USP com o orientador Javier Mazarigos Pablos e membros da banca avaliadora.

Por que você decidiu fazer doutorado e o que muda em sua carreira como arquiteta e como supervisora de ensino?

“O legal de fazer doutorado não é só o título. É claro que o título é importante para poder fazer concursos e incrementar o currículo, mas o mais importante é o conhecimento que você adquire para fazer pesquisa e todo o aprendizado que você tem. E eu aprendi muito! Tanto o conteúdo acadêmico, da minha pesquisa, quanto também o que é importante levar para a sala de aula.

Enquanto arquiteta, foi um acréscimo absurdo! Porque a minha especialização é lighting design e eu me sinto como tendo conhecimento máximo da área de iluminação. Eu fiz uma pesquisa, na verdade, de uma luz que atualmente ainda não é aplicada no mercado, então para minha carreira foi muito gratificante e me trouxe muito aprendizado.

Como supervisora, me agregou valor no sentido de  organizar o ensino. Nós aprendemos a hierarquizar o conhecimento, a ver o que realmente é importante numa pesquisa, o que não é, como avaliar e ajudar um professor, como organizar conteúdo, enfim, isso tudo é trabalhado no doutorado. ”

Por que você escolheu esse tema?

“Quando eu fiz especialização, eu tive uma disciplina sobre fibra óptica que me encantou e, então, eu comecei a utilizar no meu trabalho. Tentei o doutorado na área e um professor da USP São Carlos, Javier Mazarigos Pablos, se interessou muito pela minha pesquisa, achou muito inovadora. Ele me orientou quanto ao projeto de pesquisa, eu fiz a seleção e, graças a Deus, passei!

Foi então que eu comecei a pesquisar mais sobre o tema e a desenvolver o projeto, vi que a pesquisa deveria ser muito mais ampla do que eu imaginava, que eu precisaria fazer testes, por exemplo. E foi muito legal porque foi um trabalho interdisciplinar, então eu trabalhei com professores renomados que são físicos, engenheiros eletricistas…”

Pós-graduação em Sustentabilidade e Tecnologias na Arquitetura, Design e Paisagismo IESPE

O que é o coletor solar e qual a vantagem desse equipamento?

“O coletor solar serve para captar a luz do sol e transmitir, através da fibra óptica, a luz do sol para dentro de ambientes que não têm iluminação adequada. Então onde normalmente usamos a iluminação artificial, estaremos utilizando a luz natural.

Esse equipamento representa uma economia de energia muito grande, imagine poder captar a luz solar e iluminar todos os ambientes da casa sem precisar de uma luz artificial. Isso gera uma eficiência energética muito grande!

Mas a grande vantagem dessa pesquisa envolve a relação do ser humano com a luz natural. É importante que as pessoas saibam o quanto a luz influencia nosso comportamento. Nós fomos desenvolvendo tecnologias para que o ambiente esteja sempre claro e, com isso, atrapalhamos o funcionamento do nosso organismo, criamos problemas psicológicos e até problemas físicos e, quando propomos trazer a luz natural, conseguimos minimizar isso.

O ser humano foi criado para se adaptar às condições da luz natural. Por exemplo: ao meio-dia, a pessoa está super ativa, pois é um horário com uma luz do sol muito forte e clara. Às cinco horas da tarde, já temos uma luz mais branda, um pouco mais avermelhada que traz calma”.

Como funcionaria essa tecnologia?

“A cor e a intensidade da luz influencia muito no comportamento humano e a proposta é que, com a luz natural,  consigamos recuperar um pouco isso dentro das edificações. É claro que nunca vamos conseguir reproduzir 100%, por isso é proposta uma luminária híbrida, ou seja, uma luminária que ao captar o que está sendo trazido pela fibra óptica, possa espalhar luz no ambiente, e, quando estiver um nível baixo de luz, acenda um LED, por exemplo, para equilibrar essa iluminação. Mas essa é uma pesquisa que ainda está em grande desenvolvimento. Não temos ainda, no mercado do Brasil, nada parecido e queremos criar exatamente isso, essa possibilidade”.

Quais as dificuldades e vantagens de se falar sobre uma tecnologia tão recente?

“Eu não sei propriamente se há uma dificuldade, porque quando fazemos um trabalho, temos tanto domínio daquele conteúdo que a informação que damos num discurso acaba fluindo sem maiores dificuldades.

Doutorado Aline Gouvêa
Aline Gouvêa apresentando tese de Doutorado.

Mas, por  tratar de um tema que ainda não é tão discutido, principalmente aqui no Brasil, a pesquisa gera muitas indagações e curiosidade, as pessoas querem saber mais.

O que foi abordado pelos membros da banca na minha defesa é que o trabalho é inédito no sentido do conteúdo e, a partir disso, ele vai ser um parâmetro inicial para outras pesquisas, uma fonte de consulta.

E isso é muito gratificante! Saber que fiz um trabalho que realmente tem valor para a academia, um valor para a arquitetura, que realmente tenho uma colaboração para a ciência, é muito gratificante”.

Como foram os testes e quais os resultados encontrados?

Eu tinha um ambiente escuro todo pintado de preto para tentar minimizar ao máximo a interferência de qualquer outro fator na medição, principalmente da reflexão da luz, que é o que mais acontece. E aí eu medi o equipamento uma vez por semana e três vezes ao dia, que variava um pouco de acordo com as condições do tempo e da minha pesquisa. Foram ao todo 52 medições durante todo o ano porque assim eu consegui analisar as características de todas as estações.

Eu utilizei três equipamentos específicos para medir a iluminação: espectrofotômetro, luminancímetro e luxímetro e o resultado que eu obtive foi muito bom comparando o meu equipamento, que era um protótipo, com outras fontes de luz artificiais que usamos no dia a dia, como lâmpadas de led, fluorescentes e algumas halógenas que ainda estão no mercado.

Eu concluí o trabalho confirmando que o protótipo tem um potencial muito grande e pode ser desenvolvido inclusive comercialmente. Se um protótipo já tem um resultado tão positivo, então é possível ter um resultado ainda superior na hora que desenvolver a tecnologia”.

Saiba mais sobre a supervisora:

Aline Gouvêa Leite
Arquiteta
Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2005) e mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (2008). É Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU - USP, na área de Tecnologia da Arquitetura, e participante do grupo de pesquisa ArqTeMa, na USP - São Carlos. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Projetos de Iluminação, atuando principalmente nas seguintes áreas: projeto de arquitetura, sustentabilidade, eficiência energética e ensino na Arquitetura. Também tem experiência em ensino a distância.

Pós-graduação em Sustentabilidade e Tecnologias na Arquitetura, Design e Paisagismo IESPE

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